Mudança de estratégia no Afeganistão será desafio para Obama

WASHINGTON - Um dos desafios mais difíceis que a equipe de segurança nacional do presidente eleito Barack Obama irá enfrentar será a promessa que ele fez de enviar milhares de soldados americanos ao Afeganistão para combater os avanços do Taleban no país.

The New York Times |

    Especialistas militares concordam que será preciso mais soldados para se estabelecer uma companha eficiente contra a insurgência, mas também alertam que os reforços não devem gerar a resposta rápida conquistada no Iraque depois de 2007.

    Depois de sete anos de guerra, o Afeganistão apresenta problemas únicos: uma insurgência rural, proteção ao inimigo no vizinho Paquistão, fraqueza crônica do governo do país, um bem-sucedido comércio de narcóticos, infraestrutura pouco desenvolvida e um terreno proibitivo.

    Relatórios da inteligência americana ressaltam a seriedade da ameaça. Entre agosto e outubro, a média de ataques diários realizados pelos insurgentes foi maior do que no Iraque, a primeira vez que a violência no Afeganistão é maior desde o começo da ocupação dos Estados Unidos em maio de 2003. Quase metade dos ataques insurgentes foram direcionados contra forças americanas e estrangeiras,  enquanto o restante se concentrou contra forças de segurança afegãs e civis.

    "O Afeganistão pode ser a 'guerra boa', mas também é a guerra mais difícil", disse David J. Kilcullen, ex-agente do exército australiano que abandonou o cargo de conselheiro sênior da secretária de Estado Condoleezza Rice para assuntos de insurgência.

    Obama e seus assessores ainda precisam determinar uma estratégia detalhada sobre precisamente quantos reforços serão enviados e como devem ser alocados.

    Mas o Pentágono já planeja enviar mais 20 mil soldados adicionais em resposta a um pedido do general David D. McKiernan, principal comandante das forças americanas no país.

    Autoridades do órgão dizem que o esquadrão incluirá quatro brigadas de combate, uma brigada aeronáutica equipada com helicópteros de transporte e ataque, unidades de reconhecimento, tropas de apoio e treinadores para o exército afegão e sua polícia.

    A primeira brigada de combate será alocada na região leste do Afeganistão, enquanto o resto deve ser enviado ao sul e sudoeste do país. Com isso, o número de soldados americanos no Afeganistão chegará a cerca de 58 mil (atualmente o número gira em torno de 34 mil) e somaria aos mais de 30 mil soldados estrangeiros operando sob o comando da Otan.

    - MICHAEL R. GORDON

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