Muçulmanos da Índia deixam de lado suas queixas para repudiar o terrorismo

MUMBAI - Multidões de muçulmanos da Índia, de atores de Bollywood a estudantes com lenços sobre os cabelos, marcharam pelo coração de Mumbai e diversas outras cidades do país no domingo, segurando pôsteres proclamando seu repúdio ao terrorismo e lealdade do Estado indiano.

The New York Times |

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Os protestos, apesar de relativamente pequenos, foram os últimos de uma série de gestos públicos feitos por muçulmanos (que estão sob suspeita depois dos ataques terroristas em Mumbai) para dissociar suas próprias queixas como minoria local de qualquer simpatia com o terrorismo ou políticas radicais diante dos atentados que terminaram no dia 29 de novembro.

Líderes muçulmanos se recusaram a permitir que os corpos de nove militantes mortos nos ataques fossem enterrados em cemitérios islâmicos, dizendo que os homens não eram verdadeiros muçulmanos. Eles também suspenderam a comemoração anual no dia 6 de dezembro de um tumulto de 1992, no qual hindus destruíram uma mesquita, numa tentativa de reverter tensões comunitárias. Estudiosos da religião muçulmana e figuras públicas emitiram fortes condenações verbais aos ataques.

Até então, sua postura parece funcionar: a resposta foi marcavelmente unificada, com pouco da suspeita e dos temores que sucederam ataques anteriores.

Grupos de direita hindus ficaram perceptivelmente fora das ruas. Apesar dos líderes da oposição hindu nacionalista do partido Bharatiya Janata terem criticado a forma como o governo lidou com a crise, eles não alimentaram sentimentos anti-muçulmanos. O fato de cerca de 40 muçulmanos terem morrido nos ataques pode ter ajudado a dissipar qualquer dúvida.

Ainda assim, muitos muçulmanos parecem ansiosos, temendo que algo da raiva gerada pelos ataques possa ser direcionada à violência hindu-muçulmana que há muito mancha a história moderna da Índia.

"É triste que nós tenhamos que provar que somos indianos", disse Mohammed Siddique, um jovem contador que marchava pelas ruas da cidade no domingo com sua mulher e sua mãe. "Mas a verdade é que, precisamos falar mais alto que os outros, para deixar claro que aquelas pessoas não falam pela nossa religião - e que não somos paquistaneses".

Inúmeros pôsteres a seu redor pareciam reafirmar sua opinião. Alguns diziam "Os Inimigos de Nosso País são Nossos Inimigos", outros, "Assassinos de Inocentes são Inimigos do Islã". Poucos declaravam, com gramática incerta, "Paquistão Seja Declarado um Estado Terrorista".

"Depois deste ataque, tudo mudou. Agora as pessoas veem a realidade", disse Saeed Ahmed, 45, diante de uma papelaria na Rua Muhammad Ali, uma região ocupada pela classe média trabalhadora muçulmana. "Isso é diferente do que tínhamos antes, é como o nosso 11/9. Não é sobre hindus contra muçulmanos, mas sim sobre nossa nação estar sob ataque"

Por ROBERT F. WORTH

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