Movimento Tea Party alimenta paixão por campanha nos EUA

Conservadores recebem treinamento para aprender a tomar eleitor por eleitor, de bairro em bairro, por todo o país

The New York Times |

Em um sábado de agosto, quando a maioria da classe política havia escapado do calor de Washington, 50 líderes do movimento Tea Party de todos os cantos do país se reuniram em uma sala de conferências. Eles vieram à capital para aprender a tomar o país, eleitor por eleitor. 

Procure por casas com bandeiras dos Estados Unidos, foram instruídos, os seus moradores tendem a ser conservadores patriotas. Bandeiras dos Marines ou símbolos religiosos, idem. Leve guloseimas para os cães quando passear pelos bairros. "Com isso eles se tornam melhor amigo de uma pessoa que gosta de cães".

Não basta distribuir placas para os jardins com o nome do seu candidato: se ofereça para colocá-las ou para colar adesivos no para-choque dos carros, lembrando que no lado do motorista funciona melhor. Acompanhe com cartões de agradecimento, do tipo escrito à mão. Seja educado e não pense que uma rejeição é algo contra você: “Lembre-se: fazemos isso pela liberdade!” 

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Brendan Steinhauser, do FreedomWorks, chefiou o treinamento para atrair mais eleitores ao movimento
O tipo de “treinamento” no FreedomWorks, grupo de advocacia de Washington que fez mais do que qualquer outra organização para construir o movimento Tea Party, durou três dias. Nos últimos 18 meses, a equipe jovem do grupo tem realizado sessões de formação como essa em todo o país, em salas de conferências de hotéis ou porões de bares, moldando a raiva incipiente do Tea Party, com a sua ideologia libertária e táticas de organização de esquerda.

Conquista

O objetivo é transformar os grupos locais de Tea Party em uma operação para conquistar votos em distritos eleitorais de todo o país.

“Se conseguirmos levar centenas ou milhares às ruas para protestar e segurar cartazes e gritar e fazer um impacto no debate político público, então nós podemos fazer muita diferença”, disse Brendan Steinhauser, principal organizador do FreedomWorks para grupos Tea Party, aos líderes reunidos aqui. “Mas se essas mesmas pessoas visitarem os bairros a pé e fizerem todas as coisas que estamos falando, como colocar cartazes nas 72 horas finais e fazer os telefonemas certos, nós podemos esmagar alguns desses caras”.

Nos últimos meses, o FreedomWorks se uniu a Glenn Beck, a maior celebridade do movimento Tea Party, para promovê-lo. Na semana passada, com muitos adeptos do Tea Party em Washington para uma reunião que Beck irá realizar no Memorial Lincoln, o FreedomWorks realizou uma convenção na qual os organizadores do Tea Party falaram falar a 1.600 ativistas.

Através de seu comitê de ação política, o FreedomWorks planeja gastar US$ 10 milhões com parafernália de campanha nas eleições de novembro – placas para candidatos como Paul Rand, de Kentucky, e Marco Rubio, da Flórida, estão empilhadas pelo escritório do grupo. Com concessões de “microfinanciamento”, irá direcionar o dinheiro de doadores do FreedomWorks – o código fiscal protege seu anonimato – aos Tea Party locais.

Outros grupos vão gastar mais. Na esquerda, uma coalizão de sindicatos planeja gastar pelo menos US$ 88 milhões, na direita, o grupo Americans for Prosperity irá gastar US$ 45 milhões.

Mas o que o FreedomWorks diz aos ativistas é que o dinheiro não é o que importa, mas sim convencer amigos, vizinhos e estranhos nos distritos eleitorais onde 100 ou 1.000 votos podem fazer toda a diferença.

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Estratégia mapeia melhores regiões e busca moradores patriotas de tendência conservadora

O FreedomWorks está concentrado especialmente nas disputas na Pensilvânia, Ohio, Nova York e Flórida. Representantes destes Estados foram convocados para o treinamento em Washington.

Steinhauser pediu que não desperdicem energia em bairros tão profundamente democratas que não podem ser conquistados.

Ainda assim, ele não deixa qualquer possibilidade de lado, afinal, ele notou, ninguém acreditava que Scott Brown poderia ganhar. “Este ano, se há uma mensagem que se pode tirar”, ele disse, “é que nada é impossível para nós”, lembrou.

*Por Kate Zernike

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