Movimento de maio de 68 ainda divide os franceses

NANTERRE, França ¿ Há 40 anos, estudantes franceses, trajados com gravatas, atiravam pedras contra a polícia e exigiam mudanças no duro sistema nacional do pós-guerra. Atualmente, estudantes, preocupados com a falta de emprego e falta de benefícios do Estado, marcham pelas ruas exigindo que nada mais mude, de maneira alguma.

The New York Times |

O mês de maio de 1968 foi o divisor de águas da história da França, um momento sagrado de libertação para muitos, quando os jovens se uniram, trabalhadores foram ouvidos e o governo francês de Charles de Gaulle ameaçado.

Mas para outros, como o atual presidente Nicolas Sarkozy, que tinha apenas 13 anos nesta época, maio de 68 representou a anarquia e o relativismo moral, uma destruição dos valores sociais e patrióticos, que em suas duras palavras, iam ser exterminados.

O debate em torno do que aconteceu há 40 anos é bem francês. Há discussões até mesmo sobre o rótulo do acontecimento¿ a direita o chama de eventos, enquanto a esquerda o denomina como o movimento.

Na medida em que a revolta entre jovens se torna comum no ocidente, a França foi o local onde os protestos da nova geração se tornaram mais próximos a uma verdadeira revolução política, com mais de 10 milhões de trabalhadores em greve, e não apenas uma repulsão às regras da sociedade de classes, à educação ou ao comportamento sexual.

Alain Geismar, líder do movimento, que passou 18 meses na prisão mas depois serviu como conselheiro do governo, disse que o movimento prosperou como uma revolução social, não apenas política. Enquanto o regime de Gaulle respondia com a polícia e mobilização de tropas militares no caso de estudantes marcharem em direção ao palácio presidencial, Geismar afirma que a idéia nunca ocorreu entre líderes estudantis, que falavam sim em revolução, mas nunca tiveram a intenção de levar isto adiante.

A sociedade de maio de 68 era completamente bloqueada, disse Geismar ¿ um sociedade conservadora da pré-Segunda Guerra Mundial, balançada pela guerra da Argélia e pelo boom no nascimento de crianças, com as escolas drasticamente lotadas.

Como um homem divorciado, Sarkozy não poderia ter sido convidado para jantar no Palácio do Elysee, muito menos ser presidente da França, disse Geismar. Ambos o sucesso político e vida pessoal vivaz de Sarkozy, com raízes estrangeiras e judaicas, são inimagináveis sem 1968, ele assinalou. Os neo-conservadores são inimagináveis sem 68.

O ativista Andre Glucksmann, que apóia Sarkozy, que segundo ele é a melhor chance para modernizar o dourado museu da França e reduzir o poder do Estado sagrado. Sobre as críticas de Sarkozy em torno dos eventos de maio, ele afirmou: Sarkozy é o primeiro presidente pós-68. Liquidar 68 é como liquidá-lo.

-Steven Erlanger

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