Morte é melhor aposta para cobradores de dívidas

MINNEAPOLIS - Os bancos precisam de outro resgate e inúmeros proprietários de imóveis não conseguem pagar suas hipotecas, mas um grupo está pagando suas contas: os mortos.

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Funcionária organiza processos no Serviço de Cobrança

Funcionária organiza processos no Serviço de Cobrança

Dezenas de agentes com treinamento especial trabalham no terceiro andar do Serviço de Cobrança desta cidade, ligando para os parentes de mortos e questionando se eles querem acertar as dívidas de cartões de crédito ou empréstimos ou talvez uma última conta de luz ou celular.

As pessoas do outro lado da linha não têm obrigação legal de assumir a dívida de um esposo, irmão ou pai falecido. Mas elas assumem a responsabilidade assim mesmo.

"Eu estou desempregado no momento e o dinheiro anda curto", disse um homem depois de receber a conta de US$280 do cartão de crédito de sua sogra.  Ele prometeu pagar US$15 ao mês.

Os mortos representam a mais nova fronteira na cobrança de dívidas e uma das partes mais saudáveis deste setor. Os responsáveis por cobrar os vivos dizem que as pessoas estão tão assustadas que é difícil arrancar até um centavo delas.

Cobrar os mortos, no entanto, é um setor em crescimento. Tecnologias avançadas de banco de dados facilitam descobrir quando as heranças são resolvidas na corte, dando aos cobradores uma oportunidade única de pedir o pagamento.

Mas se não houver nenhuma herança, o toque humano entra em vigor. Novos funcionários do Serviço de Cobrança passam por três semanas de treinamento no que a companhia chama de "audição empática ativa", que mistura o ar confortante de um funeral com os tons sem julgamento de um amigo. Os novos funcionários aprendem a usar frases que evitam a raiva como "Se eu entendi bem, você gostaria de..."

Para alguns parentes, pagar é pragmático. A lei varia de Estado para Estado, mas geralmente os vivos não são obrigados a pagar as contas de um parente morto. Na teoria, no entanto, os cobradores podem pedir qualquer propriedade herdada do falecido.

Mas o sentimento também representa um grande papel, afirmam as agências. Alguns parentes são leais ao cartão de crédito ou banco em questão. Alguns sentem uma necessidade moral de que todas as dívidas devem ser pagas. Mas, na maioria das vezes, as pessoas sentem que estarão honrando as vontades dos entes queridos.

Finalmente, é claro, algumas pessoas que pagam podem não saber que não são obrigadas a isso.

Por DAVID STREITFELD

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