Morte de Kadafi reaviva protestos e esperanças na Síria

Opositor Conselho Nacional Sírio tenta repetir a ação na Líbia, mas país controlado por Assad enfrenta desafios particulares

The New York Times |

AP
Imagem reproduzida de TV mostra presidente sírio, Bashar al-Assad, dando entrevista à TV estatal
A notícia da morte de Muamar Kadafi na quinta-feira passada se espalhou pela Síria no dia seguinte, reavivando os protestos que tinham desacelerarado e colocando fogo em um recém-organizado grupo de oposição desarmado que busca desafiar a família Assad, há quatro décadas no poder.

O Conselho Nacional Sírio, anunciado em Istambul esse mês, começou a tentar rivalizar o sucesso da liderança da oposição da Líbia, atuando de maneira mais coesa para forjar uma alternativa ao presidente Bashar Al-Assad e cortejar o apoio internacional que se mostrou tão crucial no outro país árabe.

Mas esse esforço enfrenta muitos desafios. Um abismo ainda separa a oposição que atua no exílio e aquela que opera em casa, e rivalidades e disputas ideológicas comprometem o seu trabalho.

Além disso, a Europa e os Estados Unidos têm se mostrado relutantes em dar ao conselho o reconhecimento que rapidamente ofereceram à oposição na Líbia.

Talvez o seu maior desafio seja um debate sobre que tipo de intervenção internacional eles buscarão na tentativa de por fim ao governo de Assad. Vários líderes do conselho sugeriram que o impulso de coesão veio tanto do exterior quanto da própria Síria, onde há cada vez mais queixas por parte dos manifestantes por conta daquilo que veem como brigas intermináveis no exterior.

Mesmo os críticos estão impressionados com a capacidade do conselho de unir grupos diferentes em mais de três meses de negociações. O CNS foi anunciado em Istambul, em 2 de outubro. O conselho organizou-se em um corpo de 230 representantes, com um secretariado menor de 29 membros e um comitê executivo de sete.

Nenhum outro movimento de oposição nas revoltas árabes enfrenta os desafios da Síria. Com a maioria dos jornalistas barrados, o país está desprovido da cobertura que ajudou a revolta da Tunísia em seus primeiros dias.

Ao contrário da Líbia, não há fronteira aberta, nem uma cidade como Benghazi, onde a oposição pode se organizar. Mais difícil ainda é a própria composição da Síria – muitas grandes minorias cujo temor de uma consequência da queda do governo é alimentado por aqueles no poder. As autoridades ocidentais têm chamado a formação do conselho de um passo positivo, mas ainda pouco.

Um oficial do governo Obama foi especialmente crítico, dizendo que o conselho tinha pressionado a comunidade internacional mais do que os próprios sírios. O oficial se recusou a tratar o conselho como a oposição, mas sim como "oposicionistas", por causa da natureza embrionária do órgão.

"É um passo certo, mas ainda estamos basicamente descrentes", disse o oficial de Washington. "Estamos longe de um órgão real que represente plenamente o povo sírio."

Por Anthony Shadid

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