Moradores tentam melhorar vida dos pedestres em Denver, nos EUA

Cidade americana conhecida pela boa forma da população quer mostrar que andar também é meio de transporte

The New York Times |

Uma grande quantidade de pessoas em boa forma vive na cidade de Denver, nos Estados Unidos. Em uma agradável manhã de sábado, elas saem para correr e andar de bicicleta. Ao demonstrar sua capacidade em tais atividades, elas também revelam porque o Colorado é o Estado com o menor número de obesos do país.

Mas caminhar para ir a algum lugar? Essa já é outra história.

Pessoas como Gosia Kung e o Dr. Andrew M. Freeman estão tentando mudar isso. De maneiras muito diferentes e por razões diferentes - ela é arquiteta e ele cardiologista - eles estão tentando reincorporar a atividade física em uma região que, apesar de seu incrível índice de massa corporal, perdeu o contato com a ideia de enxergar a caminhada como um meio de transporte.

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NYT
Mulher caminha em Denver, no EUA (09/02)

No ano passado, Kung co-fundou um grupo sem fins lucrativos chamado de Caminhada em Denver, que está tentando obter o certificado para que Denver se torne uma "boa cidade para se caminhar". Foi também uma defensora que participou de outro grupo que não fez muito sucesso, o Caminhantes - que vive falando com planejadores urbanos, ou até mesmo os irritando caso necessário, e pregando ao público.

“É o espaço físico de uma cidade que nos ajuda a ter uma visão do mundo como um pedestre”, disse Kung em uma caminhada pelo centro da cidade recentemente, “Calçadas amplas são cruciais, mas elas fornecem apenas os meios de acesso a um ambiente que deve, então, premiar os caminhantes com atrações como compras e entretenimento, que servem especificamente para o tráfego de pedestres.”

Cada vez mais pedestres, seja passeando ou caminhando, por sua vez, reforçam uma velha ideia que, segundo Kung, muitas cidades esqueceram: uma aúde pública e uma vida econômica melhores caminham juntas.

"Sempre me interessei pelo urbanismo, pela maneira como interagimos com o ambiente construído em volta da gente e como isso nos afeta", disse Kung, que cresceu na Cracóvia, Polônia, e nunca se esqueceu do exemplo das ruas medievais de sua cidade. Sua experiência nos Estados Unidos, por sua vez, foi imediatamente interligada com o lado negativo da cultura do carro.

"Quando me mudei da Polônia para os Estados Unidos em 1997, tirei minha carteira de motorista e engordei quase 10 quilos", disse.

Freeman lidera um grupo chamado "Ande Com um Médico", que encoraja os pacientes a sair uma vez por mês para andar pela cidade com seus médicos. Uma das mais recentes caminhadas do grupo, em janeiro, atraiu 135 pessoas, sendo dez médicos.

"Gosia está se esforçando para facilitar a caminhada e torná-la mais acessível a um número de pessoas cada vez maior", disse Freeman. "Caminhamos porque o exercício é o melhor remédio. É gratuito e não tem efeitos colaterais."

Outro apelo aos pacientes em uma era na qual as pessoas procuram cada vez mais tratamentos alternativos, disse ele, é a ideia de passar um tempo ao lado de um médico, andando ao seu lado. "Conversamos durante nossas caminhadas", disse Freeman.

Mas será possível criar uma cidade na qual as pessoas utilizem a caminhada como um meio de transporte? Ou isso acontece por acaso? Nova York é uma das cidades com o maior número de pedestres, mas nunca planejou ser assim: a densidade e a constrição da vida na ilha fizeram com que as pessoas se adaptassem. Muitas outras cidades acabaram ficando tão divididas ou até mesmo isoladas devido à explosão da construção de estradas após a Segunda Guerra Mundial que a caminhada como meio de transporte desapareceu ou nem sequer chegou a ser considerada uma opção.

Denver, que foi fundada na década de 1850 durante a corrida do ouro no Colorado, exibiu um potencial que os planejadores da cidade disseram ter lhes dado uma grande esperança de que os pedestres da região possam voltar a caminhar com mais frequência.

Certamente a cultura do carro deixou a sua marca, na construção de rodovias e ruas que atravessam os bairros onde pessoas antes caminhavam até o mercado ou para chegar a seus empregos. Mas a grade da cidade, projetada em torno do sistema de bondes que definiu os primeiros anos de Denver, criou um anel denso de proximidade, o chamado "subúrbio dos bondes" que os caminhantes disseram poder ser retomado.

A cultura de aproveitar atividades praticadas em espaços abertos também aumentam a esperança de que a caminhada urbana possa voltar a fazer parte da vida do cotidiano da cidade.

Os planejadores da cidade de Denver já estabeleceram uma meta de fazer com que 15% dos residentes possam ir aos seus locais de trabalho de bicicleta ou a pé até 2020, em comparação ao número atual de 6% levantado no mais recente censo realizado. Eles disseram que estavam gratos pelo trabalho que Kung e seus voluntários estão fazendo.

"Existem fortes organizações em defesa das bicicletas na cidade, mas não existe uma focada principalmente nos pedestres", disse Cindy Patton, do Departamento de Obras Públicas da cidade de Denver. "Precisamos de organizações como essa que nos incentivem a mudar."

Por Kirk Johnson

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