Moradores querem saber quem são os culpados por destruir aldeia em Gaza

JUHR EL DIK, Gaza ¿ Quando os irmãos Assi retornaram para sua aldeia, estava faltando quase tudo. A casa estava destruída e a plantação de oliveiras estava devastada. A única coisa que estava de pé era uma amendoeira.

The New York Times |

De todas as áreas destruídas pela ofensiva militar israelense, Juhr el Dik, uma aldeia de agricultores na fronteira leste de Gaza, tinha mais do que o sentimento de perda. Em seu centro, um gigante rastro de destruição se espalha como mar onde antes havia 40 casas de pé.

Isso é um terremoto, disse Salim Abu Ayadah, o prefeito da cidade, cuja casa estava entre as destruídas. Quando eu vi, eu não acreditava nos meus olhos. Eu não conseguia andar.

A destruição foi difícil de aceitar, mas como isso aconteceu não foi, com Israel e Gaza brigando pela autoria, oferecendo versões dos fatos, alternando realidades que são ditas para caracterizar essa guerra.

Os moradores daqui dizem que os israelenses aplainaram a terra durante suas operações em terra que começou em 3 de janeiro. Marcas de taques ou escavadora mecânica marcaram o chão da aldeia.

Um ministro israelense disse que Israel não planejava entrar na aldeia, mas que eles ficaram sem opção quando seis militantes do Hamas atiraram contra suas tropas a partir de uma cisterna na aldeia. Logo depois, um grupo de casas detonou de uma vez, explodindo estranhamente enquanto tropas israelenses passavam, disse o ministro, Isaac Herzog, que está comandando a ajuda humanitária a Gaza citando uma informação de um comandante de brigada.


Khaled el-Assi mostra a plantação de oliveiras destruída por um bombardeio / NYT

Os moradores questionam essa versão. Três deles, incluindo o prefeito, disseram que as casas estavam intactas quando eles fugiram dias depois da invasão por terra ter começado.

Isso simplesmente não é verdade, disse Abu Ayadah. Os militantes do Hamas poderiam vir de carro, lançar o foguete e ir embora, disse ele, mas eles não têm relações muito próximas com a aldeia, formada por agricultores que estão muito longe das áreas urbanas políticas. Colocando em dúvida a versão dos israelenses, Abu Ayadah disse, Então supor que há uma bomba não em uma casa, mas em várias ¿ não.

Montes de concreto

O que restou é uma paisagem não natural. Montes de concreto destruído misturados com árvores quebradas. Insetos ao redor de cabras mortas. Colheres, chinelos e escovas de cabelo estão espalhados na sujeira. 

Quando Khaled al-Assi retornou, a primeira coisa que ele notou foram as suas oliveiras quebradas. As árvores, que demoram 20 anos para crescer, eram mais queridas que a casa, que pode ser reconstruída. O pai de Assi havia começado a plantação quando ele ainda era pequeno, e agora elas sustentam sua família, assim como a empobrecida viúva, Um Salama. Não podemos reconstruir nossa casa sem ajuda externa, então estamos focando na plantação agora, disse Assi.

A tarefa é urgente porque as árvores, cujas raízes não recebem água há dias, estão quase morrendo. Das várias dezenas de árvores, apenas uma pequena porção parece poder ser salva.

Mas há outra razão para a urgência. Quando os irmãos viram pela primeira vez a casa destruída, disseram eles, ficaram tão chocados que era difícil respirar. Ziad começou a chorar. Ele fugiram para a plantação.

Todos agora estão tentando esquecer, disse Khaled em meio a suas árvores quebradas. A única coisa que você pensa agora é replantá-las.


Centenas de casa da aldeia foram reduziadas a escombros / NYT

Na terça-feira, a aldeia era palco de uma movimentação frenética. Homens corriam entre pilhas de tijolos, carregando pedaços de metal para construir telhados temporários. Um time de homens carregava burros com galhos para fazer fogueiras para cozinhar.

Abu Ayadah disse que cerca de 130 casas em Juhr el Dik foram destruídas e outras 40 foram seriamente danificadas. No total, existe entre 600 e 700 casa, disse ele.

A destruição foi tão grave na região de Assi que parecia surreal. Mesmo os animais estão confusos. As galinhas faziam muito barulho em baixo de uma goiabeira caída que destruiu o galinheiro. Um gato miava lastimosamente, mas não podia ser visto. Um cachorro perambulava. Ela não encontram suas casas, disse Mahmud el-Bahabsa sobre as galinhas

Mistério

Havia poucas pistas sobre como a destruição aconteceu de verdade.

Uma bomba de artilharia, da altura do joelho está de pé e mostra a marca M825E1, oferece poucas explicações.

Um mapa desenhado com um marcador preto na parte de trás da porta de uma cozinha, e um calendário com os dias riscados, também não ajuda muito.

No topo da colina, outra moradora pensava sobre suas árvores. Noha Shawal, uma rica moradora cuja família tem uma casa de verão aqui, olhava com tristeza para seu bosque destruído.

Ela estava particularmente brava porque ela havia acabado de replantá-las depois de maio, quando os militares israelenses aplainaram as árvores que ela havia cultivado. Ela estava em casa quando os soldados chegaram daquela outra vez. Eles a trancaram em um quarto e começaram a aplainar, disse ela.

Eu gostaria que isso acontecesse na terra deles, disse ela, sentada em uma cadeira de plástico, avaliando o estrago. Eu queria ver o rosto deles.

O filho de Shawal é dono de uma loja de roupas infantis na Cidade de Gaza. Seus sócios, judeus israelenses, são de confiança, disse ele. Mas desde que o embargo israelense começou depois que o Hamas expulsou os políticos rivais em 2007, os negócios caíram muito.

Nós somos como galinhas ¿ eles decidem como nos alimentar, disse Shawal. Eles não desejariam uma vida assim para eles.

Os moradores parecem determinados a fazer o melhor de uma situação ruim.

No fim da tarde, quatro árvores haviam sido replantadas, seus troncos no solo arenoso balançavam de uma maneira que não é natural. Ainda não estava claro, disse Khaled al-Assi, se ela sobreviveriam. Ele continuará pensando nelas, disse, mesmo quanto dorme.

Eu vou dormir e olhar para a areia, disse. Vou imaginar que ainda há oliveiras crescendo lá.

Por SABRINA TAVERNISE

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