Monges viram celebridade com música sagrada na Áustria

HEILIGENKREUZ, Áustria - O meio-dia se aproxima quando os monges entram na igreja com seus mantos brancos esvoaçantes. Eles se alinham em silêncio, de frente uns para os outros em uma longa plataforma de coro. Santos encravados em madeira os observam da austera nave romanesca.

The New York Times |

Os sinos tocam e o canto começa - inicialmente baixo ele cresce conforme mais monges se unem à música. Suas vozes macias tocam as pedras antigas, substituindo o vazio do dia com o som da eternidade.

A única perturbação é o clique contínuo de um fotógrafo que se escondeu atrás de um pilar de pedra.

Isso tem sido assim desde a última primavera, quando o mundo ficou sabendo que os monges de Stift Heiligenkreuz, no meio da floresta de Viena, haviam sido contratados pela Universal para gravar um álbum de canto gregoriano.

Quando o álbum, "Canto: Música para o Paraíso" foi lançado na Europa em maio - e atingiu a 7ª posição na lista britânica dos mais populares, chegando a vender mais que Amy Winehouse e Madonna - a atenção da imprensa veio como uma avalanche. (O CD será lançado nos Estados Unidos no dia 1º de julho.)

Agora esse monastério, onde o ritual diário de reza e trabalhos guiou a vida durante 875 anos, se vê em meio a um circo da mídia que exaspera e perturba seus 77 irmãos.

"Nós somos monges", disse Johannes Paul Chavanne, 25, que entrou para o monastério depois de estudar lei em Viena e que almeja ser padre. "Nós não somos estrelas pop, nem queremos ser."

Tarde demais: o álbum fez com que os monges de Heiligenkreuz se tornassem celebridades instantâneas, um exemplo de como o canto gregoriano, o antes negligenciado ritual de mais de mil anos da Igreja Católica Romana, pode ser empacotado para uma sociedade secular que precisa de sua cadencia tranquilizadora.

Por MARK LANDLER

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