Moda assume papel de destaque na Índia

NOVA DÉLI - Esta roupa é apenas algo que eu combinei às pressas, disse o organizador de artes Himanshu Verma durante a Semana de Moda Wills da Índia. O nome é táxi de sari, ele acrescentou, se referindo à espalhafatosa veste de organza e poliéster estampada com pequenas bolinhas que vestia. E sim, Verma é um homem.

The New York Times |

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Modelo mostra criação do estilista indiano Manish Arora
Modelo mostra criação do
estilista indiano Manish Arora
Os shoppings de luxo abertos ao longo dos últimos anos agora são como cidades fantasmas. Os poucos clientes que restam parecem menos dispostos a comprar do que a passear. Mas a necessidade de participar do frenesi global pela moda tomou conta desta cidade que simultaneamente sediou duas semanas de moda, com 150 designers, e lotou halls de hotéis e lounges ao lado de piscinas em sua capacidade máxima.

A Semana de Moda Wills da Índia aconteceu ao mesmo tempo que a Semana de Moda de Déli, e ambas tentaram roubar a cena da Semana de Moda de Lakme, que começa na sexta-feira em Mumbai. Todos os eventos buscam demonstrar que os designers indianos estão preparados para abandonar o paroquialismo do amplo mercado doméstico para concorrer no ocidente.

"Demorou um pouco, mas estamos prontos", disse Sunil Sethi, presidente do Conselho de Moda e Design da Índia, se referindo às últimas décadas de desfiles no estilo ocidental que aconteceram na Índia.

Se a presença de fãs for um indicativo de sucesso, as observações de Sethi não são um exagero. Durante dias, uma pequena multidão foi transportada do hotel InterContinental Eros, onde aconteceu a Semana de Moda Wills, de táxi, carros particulares e rickshaws motorizados para a Fundação da Moda da Índia, onde a Semana de Moda de Déli acontece.

"A Semana de Moda se tornou um evento", disse Bandana Tewari, diretora da Vogue Índia. "Ela era exclusiva no passado, com uma certa quantidade de pompa exigida pelo setor", ela disse. "Mas agora todos querem fazer parte do evento, então temos astros de Bollywood com seus óculos escuros e suas mulheres em sandálias de 14 anos".

Por muito tempo, a moda indiana falava exclusivamente à elite monetária do país. A moda era para os ricos e o resto, com sorte, teria o que vestir. Agora a moda das marcas se insinua no mercado comum indiano, atingindo a enorme classe média do país.

"Apenas três ou quatro designers mostram suas coleções no exterior", disse o aristocrático designer Raghavendra Rathore. "Há pouca moda pura na Semana de Moda", ele acrescentou. O que aparece nas passarelas geralmente tem pouca semelhança com o que os designers criam ou vendem. O espetáculo da Semana de Moda é geralmente usado como ferramenta para construir a imagem da marca.

Poucos designers exemplificam esta ideia melhor do que Manish Arora, cujo desfile com temática de animais mostrou modelos com os cabelos moldados como chifres e rostos pintados como gatos selvagens. Cobertas com cristais Swarovski e acessórios, as criações de Arora evocam a imagem de dançarinas da festa do Dia do Trabalho no Brooklyn.

Apesar de luxuoso, o desfile revelava claras indicações de ter considerações práticas. Arora (que apresentou uma versão editada do desfile em Paris) está entre os raros designers indianos que conseguiram saltar as fronteiras internacionais. Suas roupas são vendidas em 84 lojas em todo o mundo e ele tem uma parceria com a Reebok para criar acessíveis modelos Fish Fry.

A criatividade não está em falta por aqui. Centenas de talentosos designers agora trabalham na Índia, disse Rajesh Pratap Singh, cujas criações revelam técnicas tradicionais usadas com certa restrição.

Designers como Anamika Khanna e Sabyasachi Mukherjee podem não ser grandes nomes mesmo aqui. Mas, disse Singh, são a prova de que "há mais do que talento suficiente por aqui" para ajudar a mudar a imagem da Índia como produtora de roupas baratas para exportação.

A Índia é como o Japão foi no passado, acrescentou Singh. As primeiras gerações de designers apenas começaram a se fazer conhecidos. "Nem todos são Issey Miyake ou Yohji Yamamoto, claro", ele disse. Nem todos aqui são Manish Arora ou Rajesh Pratap Singh. "Mas o interesse existe", disse Singh.

Por GUY TREBAY

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