Missão de resgate na Somália fortalece nova tática de defesa dos EUA

Base no Djibuti integra grupo de instalações que preserva presença militar americana a custo relativamente baixo

The New York Times |

Reuters
Jessica Buchanan, resgatada pelos EUA após sequestros na cidade de Galkayo, em outubro
Uma base avançada do Pentágono localizada no deserto africano provou ser um ponto estratégico para o ataque que libertou dois trabalhadores humanitários na Somália .

A utilidade desta base, chamada Camp Lemonier e localizada no Djibuti, também serviu como um símbolo do que pode vir a ser o futuro, à medida que os militares se concentram cada vez mais em missões de "

economia de força

" que visam preservar a presença militar dos Estados Unidos e proteger os interesses de segurança nacional a um custo relativamente baixo.


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Se a missão de resgate tivesse saído de qualquer outra base dos Estados Unidos na região, teria sido necessário muito mais tempo para que o grupo de ataque se infiltrasse na Somália e neutralizasse os nove sequestradores - que foram todos mortos - sem que houvesse nenhuma morte tanto na equipe dos Fuzileiros Navais quanto entre os reféns.

Caso os aviões tivessem saído de um porta-aviões ancorado no meio do oceano, isso também teria complicado a execução dos ataques.

A chamada "economia de força" leva um pequeno número de militares dos Estados Unidos a construir bases em regiões distantes, porém estratégicas, onde outros órgãos do governo como os departamentos da Agricultura, Justiça, Estado e Comércio, assim como o Departamento de Alfândega e Imigração e a Agência de Desenvolvimento Internacional possam se unir aos militares quando for necessário.

Embora uma missão de resgate de reféns possa render notícias, a rotina de trabalho do Camp Lemonier tem se concentrado em melhorar as habilidades dos militares e dos policiais da região na proteção de seu próprio território, auxiliando na construção de escolas, escavando poços, construindo e melhorando estradas e vacinando o gado.

O Camp Lemmonier faz parte de uma série de postos avançados construídos em ambientes de alto risco que podem servir como refúgios contra ataques e operações de inteligência, caso necessário. Ele oferece pistas de decolagem, tecnologia em comunicação, moradia, um hospital e, melhor, privacidade.

"O Djibuti é um local estratégico para que possamos continuar com a luta contra o terrorismo", disse o secretário de Defesa Leon E. Panetta.

A tendência a favorecer a construção de bases em territórios estrangeiros deve aumentar já que Panetta deve cortar cerca de US$ 487 bilhões do orçamento do Pentágono ao decorrer da próxima década.

As unidades incluem uma equipe de trabalho, equipes de assuntos civis, incluindo médicos e veterinários, além de engenheiros e instrutores militares. Geralmente invisível à população local, a força-tarefa é responsável por uma grande parte da África que inclui as regiões de Eritreia, Etiópia, Quênia, Somália, Sudão e Iêmen, além da região do Golfo de Aden - quase 70% do continente americano.

Embora o posto avançado de Djibuti seja quente e isolado, a equipe militar tem direito a um benefício incomum: uma ração diária de cerveja, proibida pela Ordem Geral N º 1 para as tropas baseadas no Afeganistão e, anteriormente, no Iraque.

Por Thom Shanker

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