Minorias já são 50% das grandes cidades americanas

Pela primeira vez, hispânicos, negros, asiáticos e outros residentes não-brancos somam 50% da população das grandes cidades dos EUA, segundo apontam os dados do censo. Os números documentam também um rápido crescimento da diversidade étnica em pequenas cidades americanas.

The New York Times |

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Em 2000, a Agência Censo descobriu que os não-hispânicos brancos eram 52,3% das pessoas das cidades centrais de todas as áreas metropolitanas. Na última pesquisa, esse número diminuiu para 50,2%. 

Essa retração foi ainda mais expressiva nos subúrbios. Atualmente, os brancos representam 72%, ante 76% em 2000.

Em áreas rurais, a participação de brancos teve uma leve queda, ao mesmo tempo em que o número de negros permaneceu igual e a proporção de asiáticos e especialmente hispânicos, cresceu.

Os números, recolhidos entre 2005 e 2007, oferecem o primeiro olhar detalhado desde o censo de 2000 sobre o crescimento da diversidade nas pequenas cidades dos Estados Unidos: cidades e condados de 20 mil a 65 mil pessoas. 

O que descobrimos é que em grande medida, esses lugares se parecem com a população total, disse Scott Boggess, coordenador da pesquisa para família e estatísticas econômicas. Muitas cidades pequenas, algumas delas cidades universitárias, espelham as mudanças que estão ocorrendo nos centros urbanos e subúrbios. 

Crescimento expressivo

O número das crianças abaixo dos 5 anos de idade que falam uma língua em casa que não o inglês no condado de Dallas, Iowa, por exemplo, cresceu 69% desde 2000, subindo para 4.200. O condado tem 50 mil habitantes nesta idade. 

Em Enterprise, Nevada, de 65 mil habitantes, a população hispânica chegou a 9.800 pessoas e a população asiática, a 10.200 pessoas.

Não apenas há novas minorias imigrantes saindo dos grandes centros urbanos, como eles também estão se mudando para lugares menores, disse Dr. William H. Frey, demógrafo do Brookings Institution.

Frey disse que as mudanças desta década refletem as forças econômicas que levaram os brancos e negros com rendimento médio para lugares menores, criando assim empregos para imigrantes na construção civil e outras indústrias em pequenos subúrbios de todo o país.

A maioria das pequenas cidades que registraram grandes fluxos de hispânicos e asiáticos está em Estados próximos, como Califórnia, Flórida e Texas, onde os grupos de imigrantes e seus descendentes tradicionalmente se fixam. Entretanto, existem novos destinos também, incluindo a Virgínia e Chicago.

Uma outra análise dos últimos números feita por Dr. Mark Mather, vice-presidente para programas domésticos na Agência de Referência Populacional, uma organização de pesquisa de Washington, descobriu índices de pobreza crescentes entre as crianças em condados de médio porte, cidades pequenas e áreas rurais. 

Os altos índices de pobreza de Appalachia, da área rural do Sul, do Rio Grande Valley e alto Meio-Oeste estão ligados a uma tendência social e econômica de longo prazo, e não a flutuações de salários ou desemprego, disse Mather.

Acima de tudo, disse Frey, a última pesquisa fornece um vívido retrato do momento de como os imigrantes e as novas minorias raciais estão se dispersando, não apenas nos Estados novos, regiões e áreas metropolitanas, mas também em lugares de pequenas dimensões no interior.

Esse é um primeiro desenho de pesquisas econômicas nessas áreas, disse Frey, mas se esses grupos continuarem a se estabelecerem em pequenas cidades dos EUA, eles irão transformar gradualmente a interação entre minorias e maiorias em todo território nacional.

Por SAM ROBERTS

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