Militares dos EUA são punidos por erros ao manipular corpos

Restos mortais foram perdidos em base de Delaware, principal local para onde são enviados soldados americanos mortos em conflito

The New York Times |

A Força Aérea dos Estados Unidos puniu três autoridades de alto escalão da Base Dover, em Delaware, principal ponto de entrada para os mortos em guerra do país, pela "péssima gestão" no tratamento dos restos humanos. Os problemas incluem a perda de partes de corpos de militares mortos no Afeganistão.

Os resultados de uma investigação da Força Aérea que durou 18 meses foram divulgados na terça-feira e revelaram que, embora os oficiais soubessem sobre partes perdidas de dois corpos, não fizeram nada para mudar os procedimentos no necrotério da base, o maior do país e um lugar cada vez mais agitado conforme as guerras no Iraque e no Afeganistão enviam os restos mortais de milhares de homens e mulheres americanos para Dover.

NYT
Corpos de militares mortos chegam à base de Dover, em Delaware, nos EUA (08/11)

O Gabinete de Assessoria Especial, agência que lida com reclamações dentro do governo, enviou seu relatório para a Casa Branca e para o Comitê de Serviços Armados do Senado na terça-feira. O documento incluiu linguagem mordaz na critica à forma como as Forças Aéreas lidaram com o caso e às questões levantadas a respeito do rigor da investigação sobre as partes de corpo perdidas.

Ambos os inquéritos foram resultado de queixas de funcionários civis do necrotério da Base Dover, que ficaram perturbados com os procedimentos adotados no necrotério e levaram suas preocupações ao gabinete, ao Pentágono e à delegação do Congresso de Delaware, entre outros.

O chefe do Estado-Maior da Força Aérea, general Norton A. Schwartz, chamou os erros de "problemas sistêmicos" no necrotério. Ele disse que eles já foram corrigidos.

Os três oficiais são o coronel Robert H. Edmondson, ex-comandante da Força Aérea para Operações do Centro de Assuntos Mortuários, Trevor Dean, ex-vice de Edmondson, e Quinton R.Keel, ex-diretor do necrotério.

Edmondson, que deixou o necrotério como parte de uma rotação regular logo após a investigação ter começado, na primavera de 2010, desde então recebeu uma carta de repreensão da Força Aérea, o que efetivamente impede qualquer promoção. Dean e Keel foram rebaixados nos últimos dois meses e transferidos para posições diferentes. Todos os três se recusaram a comentar a questão.

O Gabinete de Assessoria Especial reconheceu que a Força Aérea tinha tomado muitas medidas importantes para corrigir os problemas encontrados como resultado da investigação. Mas o conselho especial também concluiu que a Força Aérea deveria ter demitido Keel e Dean.

A disposição dos mortos em guerra é uma questão profundamente emocional para os militares dos Estados Unidos, que tem procurado nos últimos anos lidar com os restos mortais no campo de batalha com cuidado meticuloso.

Por Elisabeth Bumiller e James Dao

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