Milícias violentas ganham controle sobre as favelas do Rio

RIO DE JANEIRO, Brasil ¿ Quando um grupo de jornalistas decidiu se infiltrar em uma favela durante o mês de maio para reportar a vida em um das muitas favelas que surgiram no Rio, eles acharam que tinham escolhido com bastante cuidado.

The New York Times |

A favela escolhida, Batan, estava sob o controle de uma milícia armada que expulsou os traficantes em setembro do ano passado. Os jornalistas presumiram que uma favela sob o controle de uma milícia, que inclui policiais fora de serviço, poderia ser mais segura que uma favela controlada por traficantes. 

Eles estavam errados. E o que eles enfrentaram se tornou um escândalo público focado no perigo oferecido por essas milícias, que substituíram gangues de traficantes como senhores supremos que controlam muitas das favelas do Rio e seus negócios ilícitos, freqüentemente ligados à corrupção política e de policiais.

Em 14 de maio, 14 homens com os rostos cobertos entraram na casa onde uma repórter do jornal O Dia, um fotógrafo e o motorista estavam alojados. Eles capturaram os três, juntamente com um vizinho, e os torturaram por mais de seis horas

Eles foram obrigados a jogar roleta russa, quase foram sufocados por sacos plásticos, receberam choques elétricos, chutes e socos. De acordo com os depoimentos dados à polícia do Rio, os agressores ameaçaram abusar sexualmente da repórter e matar os outros reféns. 

A pesar de a economia brasileira prosperar, as favelas do Rio se proliferam, e hoje chegam a mais de 800. As milícias se multiplicaram com elas, à medida que as batalhas com os traficantes de drogas tiveram um custo muito grande para as forças policiais legítimas.

A baixa moral e o baixo salário estimulam os policiais, bombeiros e agentes penitenciários a dividir-se entre seus empregos e as milícias, dizem policiais e criminalistas que as estudam.

As milícias preenchem um vácuo de autoridade prometendo aos residentes segurança em troca de pagamentos e a chance de assumirem o controle de negócios ilegais ¿ incluindo o abastecimento de água e gás natural, máquinas caça-níqueis, sinal clandestino de TV a cabo e comércio de drogas.

Para muitas comunidades, as milícias são o menor dos males. Eles ganham a simpatia dos moradores porque eles combatem os bárbaros traficantes de drogas, disse Claudio Ferraz, chefe da unidade de repressão ao crime organizado da polícia estadual do Rio de Janeiro. Entretanto, as milícias estão substituindo uma criminalidade com outra, completou Ferraz.

Uma pessoa foi presa conectada diretamente à tortura.

Por ALEXEI BARRIONUEVO

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