Mídia corta custos na cobertura de viagens de Obama

Para reduzir gastos, organizações de imprensa quebram tradição de décadas e param de fretar aviões para acompanhar líder dos EUA

The New York Times |

As organizações de notícias encontraram uma nova área em que fazer cortes de gastos: o presidente dos Estados Unidos. Durante décadas era certo que, sempre que o presidente viajava, um avião fretado por membros da imprensa iria junto. Mas os voos da imprensa foram diminuídos nos últimos meses, vítimas dos cortes de gastos nas organizações de notícias que lutam para permanecer lucrativas.

Como resultado, menos repórteres seguem o presidente Barack Obama e seus assistentes, limitando o número de fontes de notícias em um momento no qual os americanos estão extremamente interessados nas políticas e personalidades da Casa Branca.

Divulgação/Casa Branca
O presidente dos EUA, Barack Obama, durante seu primeiro voo no Air Force One (05/02/2009)
"O único motivo é o dinheiro", disse Edwin Chen, repórter da emissora Bloomberg News e presidente da Associação de Correspondentes da Casa Branca, que qualifica os cortes como alarmantes e está à procura de soluções.

Os cortes orçamentais - feitos por organizações tão variadas como USA Today e ABC News - começam a ser sentidos na cobertura da Casa Branca, tradicionalmente o principal trabalho das organizações de notícias do país.

Esse é o primeiro sinal de redução, anos depois de muitos jornais regionais terem parado de enviar repórteres para a Casa Branca. Agora mesmo as grandes redes de televisão sentem a dificuldade. "Procuro por formas de cortas gastos todos os dias", disse Christopher Isham, chefe da sucursal da CBS News em Washington.

Durante a visita que Obama faz desde terça-feira em São Francisco para arrecadação de verbas e excursão a uma companhia fabricante de painéis solares, não haverá voo fretado por jornalistas.

Há uma crescente preocupação entre membros da imprensa de que o resultado de todos esses cortes é menos informações novas sobre o presidente, por causa da queda no número de fontes. Em seu lugar, provavelmente não por coincidência, virão apenas manchetes gritantes, o que significa que os cidadãos ainda poderão ver e ouvir sobre o seu presidente constantemente, mas com poucos fatos agregados.

"Isso teria sido impensável há algum tempo", disse Frank Sesno, ex-correspondente da Casa Branca e ex-editor da sucursal da CNN em Washington. Sesno, agora diretor da escola de comunicação social e assuntos públicos da Universidade George Washington, afirmou que os cortes se "equiparam ao congelamento das próprias organizações de notícias e emissoras".

Viagens presidenciais custaram à imprensa cerca de US$18 milhões no ano passado, segundo a associação de correspondentes. "Os preços são exorbitantes", disse Davi Westin, presidente da ABC News. Bilhetes em aviões fretados podem chegar a US$ 2 mil para um voo doméstico e dezenas de milhares para voos internacionais.

O corte no número de voos começou no final do governo George W. Bush e piorou durante os 16 primeiros meses de mandato de Obama, principalmente nos últimos três meses, afirmam executivos do setor.

Para os repórteres, a falta de voos fretados "aumenta severamente a inconveniência e o tempo que passam longe de cobrir a notícia", disse Mark Knoller, correspondente da Casa Branca para a rádio CBS.

Mas os chefes das organizações de notícias defendem que os voos eram usados sem controle no passado e agora são autorizados caso a caso. Por exemplo, os aviões são mais necessários quando o presidente faz múltiplas escalas durante uma viagem. "Tentamos usar o bom senso na forma como gastamos dinheiro", disse David Bohrman, chefe da sucursal da CNN em Washington.

Bom senso e economia colocaram 11 membros da imprensa em um ônibus a caminho de um discurso de Obama no sul da Virgínia no começo do mês. Quando as companhias vetaram um voo para a viagem, "sugeri um ônibus por frustração e sarcasmo", disse Chen. "E sabem o quê? As organizações disseram que era uma ótima ideia. A um custo de apenas US$ 200 por pessoa, o preço não poderia ser superado."

*Por Brian Stelter

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