Mídia americana busca novos formatos de reality shows no exterior

Gigantes do entretenimento investem em propriedades intelectuais como reality shows e competições que funcionam em qualquer país

The New York Times |

As tradicionais empresas de mídia americanas podem estar implementando cortes internos, mas estão investindo pesadamente em produtos vindos do exterior. O objeto de seus desejos? Reality shows como Big Brother, Promzillas e Freaky Eaters.

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Versão brasileira do programa de televisão 'Deal or No Deal' - no País, televisionado pelo SBT com o nome 'Topa ou Não Topa'

À medida que empresas gigantes como a Time Warner e a Discovery passam a obter uma parcela cada vez maior de suas receitas em mercados no exterior, elas estão apostando em um punhado de companhias de produção estrangeiras e relativamente pequenas.

A mídia americana valoriza essas empresas, porque elas são proprietárias do que a indústria chama de "formatos" – conceitos de entretenimento, como reality shows ou programas de jogos que podem funcionar em quase qualquer país, independentemente de divisões culturais.

Embora esteja reduzindo seus ativos nos Estados Unidos, a Time Warner fez uma oferta de US$ 1,4 bilhão esse mês pela Endemol, produtora holandesa por trás de programas famosos como Big Brother, Wipeout e, mais recentemente, Love in the Wild, um programa de encontros amorosos em uma selva.

Também esse mês, a Discovery adquiriu uma empresa de produção pela primeira vez ao pagar estimados US$ 16 milhões pela Betty, responsável pela Freaky Eaters e outros programas da televisão britânica.

Com sede em Londres, a Betty não carrega o mesmo prestígio que algumas empresas de entretenimento de Hollywood, com seus programas de televisão de ponta e grandes produtores. Mas para a Discovery ela oferece algo ainda mais valioso: propriedade intelectual.

Ao contrário de um programa pronto que os estúdios exportam para parceiros locais que simplesmente adicionam legendas ou dublagem, adquirir um formato é obter um pedaço de propriedade intelectual. Os produtores locais compram os direitos para fazer, por exemplo, a versão ucraniana de Wipeout ou a edição nigeriana do Big Brother, e grandes empresas de mídia recebem os lucros sem ter que investir muito nas produções. Esses sucessos globais podem gerar centenas de milhões de dólares em receita ao longo dos anos.

Como são tipicamente reality shows ou programas de jogos, os formatos custam muito menos do que séries de Hollywood com roteiros e são muitas vezes mais populares, já que o público prefere assistir a celebridades ou competidores locais. Além disso, a propriedade intelectual pode ser atualizada ou modificada e vendida novamente. Em 12 de dezembro, a NBC irá veicular uma versão atualizada de Fear Factor, por exemplo – o programa original foi cancelado em 2006.

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Versão ucraniana do programa de TV Wipeout

"Não se trata das empresas de produção, mas dos formatos", disse David Bank, analista de pesquisa de ações da RBC Capital Markets. Referindo-se a um programa que foi um sucesso na NBC, ele disse: "’Deal or No Deal’ - cuja versão brasileira se chama 'Topa ou Não Topa' - funciona em Mumbai. Ele funciona em Manila. E você não tem que produzi-lo."

A Endemol não quis comentar especificamente sobre o acordo. "Nosso objetivo como uma equipe de gestão é reestruturar a dívida da empresa, não vender o negócio", afirmou o presidente e executivo-chefe da Endemol, Marco Bassetti.

Por Amy Chozick

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