Michelle Obama precisa sinalizar que tipo de primeira-dama poderá ser

Hillary Rodham Clinton colocou em evidência o ¿primeira¿ do termo primeira-dama: uma mulher moderna e de carreira que tinha peso na política da Casa Branca, ganhou inimigos políticos e se tornou senadora e candidata à presidência.

The New York Times |

  • Laura Bush colocou a tradição a frente da modernidade: reservada e discreta, apesar dos amigos dizerem que é uma mulher com opiniões firmes.  

    Enquanto Cindy McCain adota o modelo de Laura Bush ¿ que parece familiar e seguro para a maioria dos norte-americanos ¿ Michelle Obama ainda precisa sinalizar que tipo de primeira-dama poderá ser. Enquanto seu marido, o senador Barack Obama, viaja pelo Iraque, Israel e Europa esta semana, ela está passando um tempo em Chicago com as duas filhas, levando-as ao campo e ao futebol. Ela não está só em casa fazendo biscoitos.

    AP

    Michelle Obama: preocupações familiares
    antes de ambições políticas

    Michelle Obama e a campanha do marido estão tentando entrar em um acordo sobre a sua imagem: uma mulher feliz em casa com as crianças, sua principal prioridade, mas também alguém que encontra tempo para acompanhar o marido na estrada por alguns dias. 

    Mas mesmo que sinalize que esse não é um acordo dois por um aos moldes de Clinton, a campanha de Obama e sua mulher está retirando algumas lições da experiência de Hillary Clinton como alvo de intensos ataques partidários e um símbolo de amplos debates sociais sobre como as mulheres devem algumas vezes conciliar papéis e expectativas conflitantes. Enquanto as duas mulheres não conversam sobre os rigores de ser esposa de um presidenciável, os conselheiros de Obama dizem que algumas experiências de Hillary Clinton servem como guia ¿ e como contraponto ¿ para Michelle Obama.

    Polêmicas

    Mais criticamente, de um ponto de vista político, a campanha de Obama está lidando com avançados ataques a Michelle. O Partido Republicano do Estado de Washington reciclou os comentários dela ¿ Michelle disse que o sucesso do marido e o desejo dos eleitores por mudança deixam-na orgulhosa do país pela primeira vez ¿ depois que a mulher do candidato democrata visitou o Estado, o que sugere que os republicanos continuarão tentando retratá-la como uma pessoa fora de sintonia com os valores norte-americanos. 

    Nesse negócio, o que você diz é tirado de contexto e é usado na disputa, disse David Axelrod, estrategista chefe da campanha de Obama. E é ainda mais arriscado para alguém que não é político.

    Para lidar com isso, Michelle Obama tem um novo chefe de equipe e uma vasta assessoria de conselheiros ¿ mais que o dobro de suporte que Clinton teve durante a campanha de seu marido à presidência, ou que Teresa Heinz Kerry, a mulher do senador John Kerry, teve quando o senador foi o candidato democrata em 2004. A campanha de Obama também está bastante seletiva quanto as entrevistas que Michelle concede, preferindo programas como o da rede ABC, o  "The View" e veículos que transmitam na íntegra seus comentários (não trechos, como fazem os jornais).

    Enquanto os conselheiros de Obama insistem que a imagem de Michelle não está sendo suavizada nem manipulada, a mesma técnica aplicada pela equipe de Clinton na campanha de 1992 está sendo usada pela campanha de Obama, procurando enquadrar a possível primeira-dama em programas que permitam que ela mostre conexão com os problemas enfrentados pelos norte-americanos.

    Por exemplo, ela freqüentemente participa de mesas redondas com pais que trabalham duro para pagar suas contas e com famílias de militares, a fim de ressaltar o trabalho árduo das famílias dos soldados norte-americanos.

    Porém, as imagens públicas das recentes mulheres de candidatos presidenciáveis ¿ Hillary Clinton, Heinz Kerry, Elizabeth Edwards, Kitty Dukakis e outras ¿ estão impregnadas na memória do partido, para o bem e para o mal. A noção pública de controle de imagem ¿ ao prevenir que o oponente destrua sua imagem ¿ não é aplicada apenas nos candidatos, mas também em suas mulheres.  

    Diferente de Hillary

    Os conselheiros de Obama são enfáticos ao garantir que Michelle não é Hillary em muitos aspectos: ela não formula políticas nos bastidores da campanha do marido; ela não teria papel político na Casa Branca; ela gastaria mais tempo cuidando de suas filhas que viajando (em contraste com as 80 viagens de Hillary, muitas delas com a filha Chelsea), e não demonstra qualquer interesse em concorrer a algum cargo público. 

    Michelle Obama também diz que aproveitaria algumas dicas de Laura Bush enquanto primeira-dama. 

    E mais: ela fará um discurso na Convenção Nacional Democrata no próximo mês. Ela será a principal substituta de Obama até que um vice seja escolhido e planeja continuar a defender as políticas do marido, especialmente aquelas que afetam as mulheres, as crianças e as famílias de militares.

    Não existe mais estereótipos para primeira-dama, disse Lisa Caputo, diretora de comunicação de Hillary Clinton na Casa Branca. Nós evoluímos e somos um país que olha além da imagem.

    Por PATRICK HEALY

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