Michelle Obama pode fazer de você uma estrela?

Alguns estilistas se beneficiam ao ter a primeira-dama dos EUA como modelo, mas ainda não se sabe se seu apoio significa lucro

The New York Times |

Na noite de 1º de maio, Michelle Obama entrou em um salão do Hotel Washington usando um impressionante vestido vermelho e em poucos minutos o mundo da moda já falava sobre ele.

Tweets e emails foram enviados por inúmeros jornalistas e celebridades presentes no local para o jantar da Associação dos Correspondentes da Casa Branca. Blogueiros analisaram. Adjetivos como "incrível", "magnífica" e "F-A-B-U-L-O-S-A" se espalharam rapidamente pelo ciberespaço.

Prabal Gurung, o jovem estilista que criou o vestido de uma alça que adornava o corpo da primeira-dama estava em Nova York a caminho de uma festa com alguns amigos quando mensagens de parabenização chegaram ao seu celular. No dia seguinte, o tráfego do seu website havia disparado. Na segunda-feira, ele recebeu proposta de lojas que não vendiam suas criações, mas estavam muito interessadas. "Para mim isso é incrível, é uma honra", disse Gurung na semana passada.

Nascia assim uma nova estrela? Ou não?

O gosto da primeira-dama tem sido analisado, admirado e muito divulgado. Websites foram criados apenas para se dedicar às roupas que ela escolhe usar em todos os momentos. ("Michelle Retoma a Moda do Broche em Evento de Ciência", dizia uma manchete recente). Por causa dela, designers pouco conhecidos de fora do cinturão da moda, como Jason Wu, conquistaram as massas. Mas ainda não se sabe se o apoio de Michelle Obama se traduz em um maior volume de vendas para os designers.

A disparidade entre a afeição da primeira-dama e as vendas reais foi ressaltada recentemente quando uma das primeiras estilistas associados a Michelle, Maria Pinto, anunciou que abandonaria os negócios. Algumas das imagens mais memoráveis de Obama durante a campanha eleitoral de 2008 - seu discurso na Convenção Nacional Democrata em um vestido turquesa; trocando um soquinho amistoso com seu marido em um vestido roxo acinturado após sua indicação; visitando a família Bush na Casa Branca em um modelito vermelho como esposa do presidente eleito - envolveram criações de Maria Pinto. Em entrevista recente ao The New York Times, a estilista disse que não conseguiu capitalizar com a enorme publicidade advinda do apoio de Michelle.

Como acontece com muitos estilistas destacados por Obama, "você pode conseguir espaço na imprensa, mas ainda há um negócio por trás disso tudo que precisa ser gerenciado", disse Hayley Corwick, que escreve um blog sobre os negócios da moda, o Madison Avenue Spy, sob o pseudônimo de Lila Delilah.

Corwick recentemente descobriu que outro vestido icônico usado por Michelle Obama, um modelo preto e vermelho criado por Narciso Rodriguez e usado pela primeira-dama na noite da eleição em 2008 - parte de uma cena que marcou para sempre a história americana - também teve dificuldades no mercado consumidor. Ele foi colocado à venda no website da loja Bergdorf Goodman com um grande desconto, de US$ 4.400 por US$ 1.540.

Algumas empresas claramente se beneficiaram das escolhas de Michelle, especialmente as que não pesam tanto no bolso. As vendas da J. Crew dispararam quando, no auge do desprezo pelos US$150 mil gastos por Sarah Palin com seu guarda-roupa de campanha, Michelle disse durante uma entrevista que estava usando um conjunto de cardigã da loja.

Mas, no outro lado da balança, é difícil saber quais estilistas conseguiram lucrar financeiramente; muitos de seus negócios são privados e eles não precisam informar valores.

Certamente há alguns vencedores. Wu, o jovem estilista que criou o flutuante vestido branco usado por Michelle no baile de posse, observou um salto nos negócios imediatamente após a posse, e o crescimento tem continuado, disse Robert Burke, consultor de moda e bens de luxo que trabalha com a companhia de Wu.

Mesmo antes dela ter chamado atenção para suas criações, Wu era vendido em lojas como Bergdorf Goodman, Neiman Marcus e Saks Fifth Avenue. Mas, desde janeiro de 2009, a empresa cresceu 40% ao ano, segundo Gustavo Rangel, Chefe Financeiro de Wu - e isso aconteceu durante uma profunda recessão. Ele também lançou novas linhas de produtos incluindo óculos de sol e de grau, além de uma coleção de câmeras.

Burke também afirmou que um outro cliente, Naeem Khan, um estilista indiano-americano que criou o vestido dourado brilhante feitos à mão que a primeira-dama usou em um jantar em homenagem ao primeiro-ministro indiano e sua mulher na Casa Branca impulsionou imediatamente seus negócios.

O apoio da primeira-dama "se traduz em negócios", disse Burke. "Há muito se sabe que celebridades vendem moda. Mas ela eleva este conceito a outro nível."

Mas alguns compradores e donos de lojas dizem que ainda temos de ver provas materiais dessa afirmação. Sarah Easley, dona da Kirna Zabete, uma boutique de Manhattan, disse que sua loja passou a vender muitos dos estilistas adotados por Michelle muito antes do apoio da primeira-dama elevar seus nomes ao cenário nacional, afirmando nunca ter recebido uma cliente que tenha citado Michelle ao fazer uma escolha. "Ninguém entrou na loja dizendo 'Vi Michelle vestindo Thakoon, então eu quero comprá-lo'", disse.

Laura Vinroot Poole, dona da Capitol, uma das lojas luxuosas de Charlotte, Carolina do Norte, disse que disposição de Michelle a misturar marcas populares com estilistas de alto padrão ajudou a "democratizar a moda" e fez da primeira-dama um nome influente no setor. Mas, acrescentou: "Para mim isso não se traduz em vendas."

Ela e outros notam que a maior parte dos clientes que têm o gosto e o dinheiro para a roupas de alto padrão busca algo que acredita ser especial - não um vestido que todos viram na televisão ou em capas de revista. "Vestidos Alaia custam US$ 3 mil", disse Poole, referindo-se ao estilista Azzedine Alaia, cujas criações Michelle usou inúmeras vezes. "Juro que não vendi nenhuma criação de Alaia por causa de Michelle."

Para Gurung, ainda não se sabe o que essa atenção trará. Ele desfilou apenas três coleções. Suas roupas estão disponíveis em 23 lojas, mas, depois do último fim de semana, ele recebeu solicitações de outras 50. Nenhum negócio foi concretizado, mas, segundo ele, "o diálogo está aberto".

É claro que o vestido que chamou a atenção de todos pode nunca se tornar acessível ao consumidor. Ele foi feito exclusivamente para Michelle. "Muitas lojas perguntam sobre ele", disse Gurung. "Preciso pensar se quero recriar uma versão daquele modelo."

Michelle, como uma marca, ultrapassa o mundo da moda. A loja virtual Amazon.com lista 201 livros cujos títulos incluem seu nome, abrangendo da biografia "Michelle Obama: Uma História Americana" a "Braços em Forma: Conquiste o Braço de Michelle em 21 Dias". Muitas revistas, da óbvia Ebony à inesperada Radar, tiveram a primeira-dama na capa.

Na editora Conde Nast, Vogue, Wired, New Yorker e Traveller, todas tiveram Michelle na capa. A Vogue de março de 2009 foi uma das edições mais vendidas da revista. Peter W. Kaplan, diretor criativo da revista, disse que da última vez que a Traveller teve alguém associado com a Casa Branca na capa - Bill Clinton, em 2007 - alguns leitores cancelaram suas assinaturas.

Durante a sessão de fotos para a capa, Kaplan disse ter ficado surpreso com o profissionalismo de Michelle, que usou um vestido rosa de Diane Von Furstenberg. "Ela trabalhou como uma modelo profissional", disse. "Não acredito que mesmo Christy Turlington tenha trabalhado mais no seu melhor dia."

*Por Hilary Stout

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