Michelle Obama e a evolução de uma primeira-dama

Para encontrar seu lugar na Casa Branca, mulher do presidente americano emitiu opiniões, discutiu com equipe e até com o marido

The New York Times |

Michelle Obama estava silenciosamente furiosa, não apenas com a equipe do presidente, mas, também, com seu marido.

Nos dias seguintes àquele em que os democratas perderam a cadeira de Edward Kennedy no Senado, em janeiro de 2010, o presidente Barack Obama preencheu sua agenda com reuniões, recusando-se a focar no problema ou culpar sua equipe ele. A primeira-dama, no entanto, não conseguia entender como a Casa Branca havia deixado escapar essa cadeira crucial, necessária para aprovar a reforma da saúde proposta pelo presidente e o resto de sua agenda.

Para ela, a perda foi mais uma evidência de algo que dizia há muito tempo: os conselheiros de Obama não eram estratégicos o suficiente. Ela via seu marido como uma figura política transformadora, mas, graças em parte aos acordos feitos por causa da reforma da saúde, muitos eleitores estavam começando a vê-lo como um político comum.

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Nos bastidores, Michelle e Barack Obama esperam para subir ao palco em evento em Washington (26/09/2009)

A primeira dama nunca confrontou diretamente os conselheiros - esta não é sua postura -, mas eles souberam de seu desagrado pelo presidente. "Ela acredita que o nosso rumo não está corretamente definido", confidenciou Obama, segundo seus assessores.

Rahm Emanuel , na época chefe de gabinete, repetiu as críticas da primeira-dama para colegas com indignação, de acordo com três deles. Emanuel, em uma breve entrevista, negou ter ficado frustrado com Michelle Obama, mas outros conselheiros descreveram uma situação desagradável: um presidente cuja agenda estava em apuros, uma primeira-dama que desaprovava o rumo tomado pela Casa Branca e um chefe de gabinete que se irritava com a sua influência.

A Michelle Obama de janeiro de 2012 é uma especialista em motivação e charme, uma defensora de causas seguras, como as famílias dos militares e o fim da obesidade infantil, uma peça política astuta que quer usar sua popularidade na campanha de reeleição de seu marido. Mas entrevistas com mais de 30 assessores atuais e antigos, bem como alguns dos amigos mais próximos do primeiro casal, conduzida para o livro "The Obamas", mostra que ela permanece uma força desconhecida no governo de seu marido e que sua história começou com luta, passou por reviravoltas e alcançou o sucesso. O primeiro casal se recusou a dar entrevistas.

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Michelle Obama apoia seu marido, mas parece muitas vezes ansiosa, desconfiada do pensamento político convencional. Ela é uma figura inovadora que tem sentido intensamente as pressões e as possibilidades de ser a primeira negra em sua posição e uma primeira-dama que tem trabalhado para tornar o seu papel mais relevante.

Inicialmente, ela havia considerado adiar sua mudança para a Casa Branca por vários meses. Depois de chegar, se irritou com o confinamento e as obrigações - incapaz de caminhar com seu cachorro sem o risco de ser fotografada e sendo monitorada por assessores dela e do marido para tudo, desde a decoração da casa da família até a necessidade de levar maquiadores em viagens ao exterior.

Novata nos caminhos de Washington, mas apaixonada pelo que seu marido havia sido eleito para fazer, ela se viu como uma guardiã de valores. Michelle muitas vezes foi mais dura com a equipe de seu marido do que ele mesmo, pedindo-lhe, eventualmente, que os substituísse. As tensões se tornaram tão graves que um dos principais assessores do presidente explodiu em uma reunião em 2010, xingando a primeira-dama que não estava presente.

"Ela cuida dele o tempo todo", disse David Axelrod, estrategista de longa data do presidente, em uma entrevista. "Quando ela acha que não fizeram a coisa certa ou que as coisas estão saindo de seu rumo", continuou ele, "ela fala sobre isso, porque ela investe nele e sabe quão duro ele trabalha. Portanto, quer fazer todo mundo trabalhar direito".

As dificuldades de Michelle Obama iluminam alguns dos desafios centrais do presidente na Casa Branca, incluindo a forma como o frescor do casal na vida política, um de seus pontos positivos em 2008, se tornou um problema quando ele assumiu o cargo.

Sua preocupação sobre a equipe de Obama revela um presidente com pouca experiência em gestão, que se apegava a um círculo interno menos unido do que parecia. O relacionamento de Emanuel com o presidente se tornou tão tenso que ele secretamente se ofereceu para renunciar no início de 2010. Robert Gibbs, o secretário de imprensa da Casa Branca, teve uma relação tensa com Michelle Obama e com Valerie Jarrett, outra assessor. Michelle compartilha da ambivalência política do presidente sobre as tarefas políticas e o tapinha nas costas que pode ajudar a fazer as coisas funcionarem em Washington.

Como muitos dos partidários do presidente, Michelle Obama estava ansiosa quanto à diferença entre a visão que tinha da presidência de seu marido e a realidade do que ele poderia fazer. Seus problemas com os conselheiros faziam parte de um debate contínuo sobre que tipo de presidente Barack Obama deveria ser, com a primeira-dama reforçando seus instintos para iniciativas ambiciosas, mas impopulares, como a reforma do sistema de saúde e das leis de imigração, algo que a colocava contra assessores que preferiam preservar as cadeiras do Congresso e os números das pesquisas.

"Ela acha que existem coisas piores do que perder uma eleição", disse Susan S. Sher, ex-assessora da primeira-dama, logo após as eleições de 2010. "Ser fiel a si mesmo, para ela, é definitivamente mais importante." Naquela época, Michelle falou algumas vezes sobre o que aconteceria se seu marido perdesse em 2012. "Sei que vamos ficar bem", disse Sher.

Frustrações profundas

Quando Michelle Obama percebeu que poderia se tornar a primeira-dama dos Estados Unidos, em 2008, ela fez uma pergunta surpreendente: Será que ela e suas filhas poderiam demorar para se mudar para a Casa Branca? Talvez fosse melhor, contou a assessores e amigos, que elas permanecessem em Chicago até o final do ano letivo, dando a suas filhas mais tempo para se ajustar, ao invés da mudança acontecer logo após a posse.

Sua ideia, embora de vida curta, foi reveladora: ela não entendia ou não se preocupava com que tipo de mensagem seria passada a um público encantado com a nova primeira família e tinha receios sobre a vida no centro das atenções. Mais do que qualquer coisa, ela não gostava da perspectiva de morar em uma casa-monumento-museu-alvo-de-terroristas.

Ela finalmente decidiu ir para Washington imediatamente, não por causa das obrigações do cargo, mas por "querer que sua família ficasse junta", disse Valerie Jarrett.

Mesmo enquanto a primeira-dama deslumbrava os americanos com seu calor, glamour e hospitalidade no início da presidência de seu marido, ela também estava profundamente frustrada e insegura sobre seu lugar na Casa Branca, segundo assessores que trabalharam com ela. Uma advogada formada em Harvard, Michelle tinha desistido de sua carreira para o que inicialmente parecia-lhe uma posição disforme, e tentou se esquivar de alguns eventos cerimoniais que via como sem propósito, incluindo o almoço anual para os cônjuges de políticos do Congresso sediado pela primeira-dama desde 1912.

Ela tentou limitar a sua exposição pública, dizendo que só iria trabalhar dois dias por semana. Dentro da Casa Branca, a dificuldade de conseguir fazer com que Michelle Obama concordasse em realizar um evento se tornou uma piada.

O confinamento da Casa Branca também foi um choque. De repente, ela viu sua vida e seus rituais cortados e passou a hesitar até mesmo em levar suas filhas para a escola ou para jogos de futebol por medo de causar tumulto.

A família tinha a intenção de voltar a Chicago com frequência, mas sua primeira tentativa foi tão complicada - sua casa de tijolos foi envolta em cortinas pretas para despistar franco-atiradores e como eles não podia simplesmente comprar mantimentos, cozinheiros da Marinha os alimentavam - que eles raramente retornaram.

Enquanto o presidente achou Camp David artificial e fora da realidade, a primeira-dama adorou o lugar porque ali poderia caminhar livremente e longe dos olhos de fotógrafos indiscretos.

"Acho que nenhum de nós imaginou como essa experiência seria isoladora", disse Eric Whitaker, um amigo próximo de Chicago."Não acho que essa seja uma parte divertida de ser a primeira família para qualquer um deles."

Michelle muitas vezes se viu presa em um debate interno sobre como o casal Obama deve parecer e viver, viajar e entreter. Como a primeira negra na posição, ela queria que tudo fosse impecável e sofisticado. Ela acreditava que "todos esperavam que uma mulher negra cometeria um erro", disse um ex-assessor.

Mas os conselheiros de seu marido - em particular, Gibbs - estavam preocupados com a possibilidade de a Casa Branca parecer indiferente à ira pública sobre o desemprego, o resgate e bônus dos banqueiros. O resultado foi uma constante troca de farpas entre a Ala Leste e Oeste sobre férias, decoração, entretenimento e mesmo coisas tão pequenas quanto a importância de a Casa Branca anunciar a contratação de sua nova florista.

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"Todos nós vemos o que acontece quando as pessoas são caricaturadas", disse Gibbs em entrevista, explicando por que ele policiava assuntos tão pessoais. Para um erro como o corte de cabelo de US$ 400 de John Edwards, em 2007, "não há correção." Outros assessores disseram que havia uma outra razão para Gibbs se tornar o principal executor das regras da vida política do primeiro casal: porque o presidente, muito consciente de que sua esposa nunca quis essa vida, não o faria.

Apesar da inexperiência política da primeira-dama, ela foi rápida em identificar problemas no trabalho de seu marido. Desde o início, Michelle temia que a Casa Branca não estivesse apresentando uma história clara e convincente das ações do presidente para o público, explicou um ex-assessor. Ela também disse a seus próprios conselheiros que queria um papel mais central na comunicação dos feitos do governo - a Ala Oeste deixou de considerar como ela se encaixava na narrativa central de seu marido, ela protestou.

Particularmente, Michelle queria ajudar a vender a reforma da saúde em 2009. "Descubram como me usar eficazmente", disse a seus assessores. "Esta é a minha prioridade." Mas os conselheiros da Ala Oeste, recordando o ressentimento público sobre o envolvimento de Hillary Rodham Clinton na questão da saúde quando era primeira-dama, recusaram sua oferta.

Emanuel, que disse a colegas que suas batalhas na equipe de Clinton haviam lhe ensinado a manter distância das primeiras-damas, simplesmente evitou Michelle Obama. A tensa relação entre Ala Leste e Oeste permaneceu um assunto não discutido, mas as tensões eventualmente se tornaram profundas o suficiente para que a equipe da primeira-dama realizasse um retiro no inverno de 2010 para discutir o problema. Valerie Jarrett, uma conselheira sênior do presidente, atuou como emissária para tentar suavizar as relações. Mas o papel misto de Valerie - ela tinha seu próprio portfólio na Ala Oeste, agia como defensora de Michelle e era tão próxima dos Obamas que passava férias com eles – também foi motivo de tensão.

Em troca de um voto decisivo em um projeto de lei sobre energia, Emanuel, sem pedir a permissão da primeira-dama, prometeu a Allen Boyd, um congressista da Flórida, que ela iria participar de um evento. Irritada, Michelle cumpriu o combinado, mas registrou sua desaprovação ao se recusar a comprometer-se a uma campanha mais ampla naquele ano. Ela fez isso por quase um ano, de acordo com conselheiros que atuaram em ambas as alas da Casa Branca. Em vez disso, se concentrou em uma agenda própria.

Sua relutância em fazer campanha deixou Emanuel incrédulo, de acordo com dois assessores. A eleição legislativa já prometia ser um fracasso e a Casa Branca entraria na disputa sem a popular mulher do presidente?

Presa nas laterais

Michelle Obama nunca quis ser o tipo de primeira-dama que interfere nas questões da Ala Oeste, disse a seus assessores. Afinal, este é o governo de seu marido, não dela. Ela tinha pouco apetite ou experiência em questões políticas e sabia a história de outras primeiras-damas - como Nancy Reagan e Hillary Clinton - que tinham sido consideradas intrometidas, figuras que não foram eleitas, mas, de certa forma, exerceram poder.

No entanto, à medida que o governo enfrentava obstáculo após obstáculo em 2010 - a vitória de Brown em Massachusetts, uma reforma da saúde que passou por pouco pelo Congresso mas permaneceu impopular, o vazamento de petróleo no Golfo e a sua atuação nas eleições legislativas - ela ficou cada vez mais preocupada.

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Mais tarde, Emanuel se tornaria prefeito de Chicago , em parte por causa de sua forte ligação com Obama, mas depois de um ano de governo a sua relação com o presidente havia se tornado tensa. Embora se apoiasse fortemente em Emanuel, especialmente ao lidar com o Congresso, Obama disse a assessores que tinha preocupações em relação a capacidade de gestão global e habilidade de planejamento de seu chefe de gabinete, além de não aprovar suas explosões, por vezes abusivas, com membros da equipe.

Emanuel disse publicamente que achava que a reforma da saúde tinha sido uma má ideia. Depois que relatos sobre essa opinião começaram a aparecer na mídia, no início de 2010 ele foi até o Salão Oval e ofereceu sua renúncia ao presidente, de acordo com vários colegas.

O chefe de gabinete "entendeu que as histórias eram um constrangimento e sentiu que devia sua renúncia", disse Axelrod. O presidente se recusou a aceitá-la, dizendo que a sua punição seria ficar e avançar com a medida, de acordo com Axelrod e outros. Emanuel não quis comentar o assunto.

Mas Michelle Obama deixou claro que acreditava que seu marido precisava de uma nova equipe, de acordo com seus assessores.

Em junho de 2010, quando o presidente decidiu fazer um discurso sobre a reforma das leis de imigração, mesmo que não houvesse qualquer legislação sobre a questão na mesa e o esforço pudesse prejudicar democratas vulneráveis, Emanuel foi contra.

Seus assessores não fizeram o discurso que ele queria e o presidente ficou acordado durante a noite reescrevendo o texto - mas o discurso teve pouca receptividade. Obama ficou irritado e disse a Valerie Jarrett que ficasse de olho na equipe para se certificar de que eles entregariam o que ele queria. Vários assessores disseram ter ouvido que Michelle Obama ficou irritada com o incidente. Mais tarde, eles disseram ter se questionado: Será que o presidente usava sua mulher para transmitir o que queria?

Em setembro de 2010, após um verão de disputas na Ala Oeste, a situação finalmente explodiu.

Na manhã de 16 de setembro, uma notícia curta deteve a tensão de Robert Gibbs: de acordo com um novo livro francês, Michelle Obama havia dito para Carla Bruni-Sarkozy, a primeira-dama francesa, que viver na Casa Branca era um "inferno". Aquilo era um desastre em potencial - o equivalente ao corte de cabelo de US$ 400 que Gibbs tanto temia e, pior, acontecia poucas semanas antes das eleições legislativas e de um período de férias na Espanha que tinha atraído acusações de gastos desnecessários.

Gibbs pediu a seus assessores que descobrissem se ela havia dito algo ainda que parecido (a resposta foi “não”), e lutou contra a notícias por horas, traduzindo o livro e convencendo o Palácio do Eliseu a desmentir o fato. Ao meio-dia, a crise em potencial tinha sido evitada.

Mas na reunião de equipe de Emanuel, às 7h30 da manhã seguinte, Valerie Jarrett anunciou que a primeira-dama tinha preocupações sobre a resposta dada pela Casa Branca ao livro, de acordo com várias pessoas presentes. Todos os olhos se voltaram para Gibbs, que ficou irritado.

"Não, Robert, não faça isso", alertou Emanuel.

"Isso não está certo, eu me matei nisso, de onde está está vindo essa reclamação?", gritou Gibbs, acrescentando palavrões. Ele interrogou Valerie, cuja calma parecia apenas frustrar-lhe ainda mais.
Os dois iam e vinham, Valerie serena, Gibbs tremendo de raiva. Finalmente, segundo vários assessores presentes, o secretário de imprensa xingou a primeira-dama - seus colegas olharam para baixo, chocados - e saiu.

Gibbs reconheceu mais tarde a explosão, mas disse que tinha mal direcionado sua raiva. Ele acusou Valeria de fazer a reclamação sem fundamento. Após o incidente do livro, ele "parou de levá-la a sério como conselheira", disse Gibbs, acrescentando: "Seu ponto de vista para aconselhar o presidente é que ela tem de estar certa e o resto da Casa Branca tem de estar errado".

Valerie se recusou a discutir o incidente, mas dois auxiliares da Ala Leste disseram que ela errou e que Michelle Obama não tinha feito qualquer crítica.

Colegas defenderam ambas as partes. Gibbs havia dedicado anos para a causa de Obama, disseram alguns. Valerie era digna de confiança, disseram outros, incluindo Peter M. Rouse, um assessor. No entanto, a explosão provou não apenas as fraturas na antes unificada equipe de Obama, mas o quão complicado havia se tornado o elo entre o primeiro casal e os funcionários da Casa Branca.

Um novo papel

Até então, a trajetória de Michelle Obama na Casa Branca estava mudando. Ela estava dominando e sutilmente redefinindo o papel que antes lhe parecia sem forma, e se tornando mais confortável em sua nova vida.

Às vezes, seu trabalho parecia funcionar como uma resposta, em miniatura, ao que estava acontecendo de errado na presidência. Se a lei do sistema de saúde de seu marido era impopular e estava em risco de ser impedida, ela fazia campanha sobre nutrição e exercícios, que tinha objetivos finais semelhantes - melhorar a saúde, reduzindo os custos. Se seu marido não estava se conectando com o público, ela iria conquistá-lo com discursos vibrantes e encorajamento.

Divulgação / Casa Branca
A primeira-dama dos EUA, Michelle Obama, sorri ao ouvir algo que o marido disse antes de evento em hotel de Nova York (21/09)

Sua popularidade, combinada com o apoio cada vez menor a seu marido, possibilitou a Michelle mais poder de barganha interna do que tinha no início do governo. Uma reunião no Salão Oval antes das eleições de 2010 capturou sua mudança.

O local era de domínio do presidente, mas a reunião foi realizada para apaziguar a primeira-dama, que havia finalmente concordado em fazer campanha para as eleições legislativas. Um por um, os membros da equipe política falaram com o casal Obama, estabelecendo argumentos, informações, estatísticas sobre como a primeira-dama poderia ajudar a capturar votos.

Em uma entrevista no ano anterior, o primeiro casal havia rejeitado a ideia de que estavam usando o seu casamento para ganho político. A maioria das fotos deles são "imagens de outras pessoas", havia dito a primeira-dama. Agora, eles absorviam dados de pesquisa que mostravam que os eleitores democratas amavam vê-los juntos, de acordo com vários participantes da reunião.

"Esta é uma grande apresentação", disse o presidente com um sorriso que revelava que ele nunca tem esse tipo de tratamento. Os assessores agora faziam as coisas como nos termos propostos por sua esposa, com planejamento e precisão.

Ainda assim, Michelle Obama concordou com apenas oito paradas de campanha, muito menos do que a equipe política queria. "Ela basicamente concordou em não fazer nada", disse um assessor.

Agora que seu marido enfrenta uma reeleição difícil, esse caráter provisório desapareceu: ela apostou tudo, disse a seus assessores.

Embora Michelle Obama tenha sido por vezes uma crítica interna, ela é também a defensora mais determinada de seu marido. Apesar de evitar discussões detalhadas sobre estratégias ou políticas, ela agora tem o papel que queria em amplificar a mensagem de Obama, falando ao lado dele em Fort Bragg, Carolina do Norte, sobre o fim da Guerra do Iraque, destacando suas iniciativas na contratação de veteranos e chegando até mesmo a compartilhar seu programa semanal de rádio. "Para mim, ela parece mais satisfeita do que eu a vi em todo este processo desde que ele era candidato à presidência, o que é uma coisa muito boa", disse Axelrod.

Quanto piores as coisas ficavam para seu marido em 2011, mais ela permanecia a seu lado, encorajando-o pessoal e politicamente. Em agosto, depois que as negociações do teto da dívida chegaram à sua dolorosa conclusão em Washington, ela deu uma festa para comemorar o 50º aniversário do presidente, alertando os convidados a não sair mais cedo e fazendo um surpreendente brinde a seu marido.

À medida que o sol desaparecia, os 150 convidados - amigos, celebridades, oficiais - sentados no gramado sul, ouviam a primeira-dama descrever a sua versão de Barack Obama: um líder correto e incansável, que permaneceu acima dos jogos de Washington, matou o terrorista mais procurado do mundo e ainda conseguiu treinar o time de basquete de sua filha Sasha. O presidente, parecendo envergonhado, tentou cortá-la, vários convidados disseram, mas ela disse que ele teria que se sentar e ouvir.

Ela também o agradeceu por aguentá-la ser dura com ele. Quando disse isso, alguns dos conselheiros entreolharam-se, concordando.

Por Jodi Kantor

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