Mianmar: um governo recluso que precisa aceitar ajuda

BANGKOK - Ao abrir suas portas para a ajuda internacional, o governo militar de Mianmar romperá a isolação que construiu em torno de si mesmo por quase meio século.

The New York Times |

AFP
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Inúmeras casas foram destruídas e não se sabe quantos estão desabrigados

A devastação de um ciclone no sábado, que tirou mais de 22.000 vidas, forçou o governo a suavizar sua pose de auto-suficiente e pedir ajuda a um mundo que teme e ressente.

O pedido de ajuda chega menos de nove meses depois da junta governamental local rejeitar a condenação que recebeu por dissipar brutalmente os protestos pró-democracia liderados por monges budistas.

Clique na imagem e veja o infográfico sobre a formação dos ciclones


Ainda assim, o governo ainda mostra relutância em aceitar ajuda ao exigir procedimentos de visto lentos e complicados para doadores internacionais e aparentemente buscando limitar o acesso de voluntários estrangeiros.

Em Genebra, oficiais da ONU disseram que obstáculos de viajem e visto impedem que ajuda chegue a cerca de um milhão de pessoas possivelmente desabrigadas.

Representantes de organizações humanitárias disseram que alguma ajuda chegou à principal cidade de Myanmar, Yangon, e em outras partes, mas que as enchentes e danos às estradas dificultam sua chegada à regiões mais atingidas.

As organizações dizem que a fome, sede e ameaça de doenças precisam ser remediadas imediatamente.

Desde um golpe militar em 1962, Myanmar, antiga Burma, se fechou do mundo no que já foi chamado de socialismo burmanês. Essa barreira aumentou nos últimos anos com a imposição de sanções econômicas ocidentais por conta da violação de direitos humanos.

"Normalmente eles diriam, 'Nós vamos resolver e não precisamos da ajuda de ninguém'", disse Zarni, pesquisador da Universidade de Oxford.

"Essa barreira foi rompida", ele disse. "Eles precisam saber que pedir ajuda significa algum grau de envolvimento internacional nas questões internas do país, seja sobre a redução da pobreza ou da democratização".

Essa ajuda, caso o governo a aceite, exigirá um novo grau de cooperação com os governos estrangeiros e organizações humanitárias dentro de Myanmar.

O governo corre o risco de que organizações humanitárias estrangeiras e governos sejam vistos como os salvadores do povo porque eles próprios não conseguiram resolver o problema. "Eu não acredito que um país seja capaz de resolver um desastre dessa escala sozinho", disse Shari Villarosa, o principal diplomata americano em Myanmar.

"Eles precisam de assistência externa", disse Villarosa. "A comunidade internacional está pronta, disposta e capaz de ajudar muito. Novamente, sua desconfiança com estrangeiros não os deixa ver isso".

Ela acrescentou: "Eles desconfiam demais. Pensam que os estrangeiros estão armando alguma coisa".

-Seth Mydans


                  Mianmar está localizada no sudeste asiático


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