México quer polícia unificada contra suborno e tráfico

Governo prepara plano para alterar radicalmente forças policiais do país, o que acabaria com 2.220 funcionários municipais

The New York Times |

O governo mexicano está preparando um plano para alterar radicalmente as forças policiais do país, na esperança não apenas de incutir uma relação de confiança que o público nunca teve com a força, mas também de sufocar uma fonte crítica de recursos humanos para o crime organizado.

A proposta, que assessores presidenciais dizem que será anunciada nas próximas semanas, acabaria com 2.200 policiais municipais e os colocaria sob um "comando unificado". Ela vem em um momento crítico para o presidente Felipe Calderón, que enfrenta uma crescente pressão dos Estados Unidos e no México para demonstrar progresso em derrotar os cartéis do tráfico de drogas.

Ele já envolveu os militares na luta, usando soldados para reforçar a Polícia Federal na batalha aos traficantes de drogas, mas a violência continua a aumentar e a corrupção entre as forças de polícia do país continua a ser um flagelo constante.

As forças de polícia municipais, repletas de agentes mal pagos e destreinados, são fortemente infiltradas por organizações criminosas ou pela ação dos prefeitos, muitas vezes servindo apenas para escoltar as autoridades locais, ao invés de patrulhar a comunidade, de acordo com um relatório divulgado no mês passado pelo Senado do México.

Plano

O novo plano de Calderón eliminaria o que hoje são grandes variações na formação, nos equipamentos, nas operações e no recrutamento da polícia em favor de um padrão único e nacional, ajudando o governo a estabelecer uma força mais profissional e coesa para trabalhar junto com seus soldados e agentes no combate a guerra de drogas.

A abordagem tem suas armadilhas, no entanto. As autoridades do Estado, que agora controlam as forças de polícia municipais, junto com a polícia federal, dificilmente são imunes à corrupção, e os oficiais municipais são suspeitos de render sua autonomia. Também não está claro como os agentes desonestos seriam eliminados da nova cadeia de comando.

Mas o governo está ficando sem opções e a preocupação do público apenas se intensificou com uma recente onda de assassinatos.

Na cidade colonial de Santiago foi um choque para a maioria dos moradores quando o prefeito foi levado em um veículo utilitário esportivo em agosto e encontrado morto dias depois. No entanto, não foi uma surpresa que vários agentes da polícia local tenham sido acusados de sua morte.

11 prefeito mortos

Só neste ano, 11 prefeitos foram mortos. O prefeito de Tancitaro foi encontrado morto após ser apedrejado. O prefeito anterior e vários funcionários do gabinete municiapal já haviam renunciado após ameaças de traficantes de drogas e queixas de que a polícia era ineficaz, as autoridades estaduais e federais assumiram o controle porque acreditava-se que a força policial de 60 membros estava envolta no crime.

Até agora, a principal abordagem de Calderón foi se apoiar nos militares e na polícia federal, mas a estratégia tem sofrido críticas por questões de direitos humanos. O Departamento de Estado americano reteve fundos de incentivo ao México em uma iniciativa antidrogas pela primeira vez este ano, em parte por causa dos abusos.

*Randal C. Archibold

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