México pressiona EUA pela interrupção do contrabando de armas

HOUSTON - John Phillip Hernandez, 24, maquinista desempregado que vive com os pais, entrou em uma grande loja de materiais esportivos em julho de 2006 e despejou US$2,600 em dinheiro sobre o balcão de vidro. Minutos depois, Hernandez saiu de lá com três rifles militares.

The New York Times |

Um destes rifles foi recuperado sete meses depois em Acapulco, México, onde foi usada por traficantes do cartel local para atacar o escritório do promotor geral do Estado de Guerrero, afirmam documentos legais. Quatro policiais e três secretárias foram mortos.

Apesar de Hernandez ter sido preso no ano passado como parte de um grupo de contrabando de armas, a maioria dos outros 22 participantes da quadrilha ainda está solta. Antes de sua operação ser descoberta, os traficantes transportaram o que os documentos judiciais descrevem como pelo menos 339 armas de alto poder para o México ao longo de um ano e meio, segundo afirmaram agentes federais.

"Não se sabe por quanto tempo este grupo operou antes de ser pego", disse  J. Dewey Webb, agente responsável pela divisão de Houston da Agência de Álcool, Tabaco, Armas e Explosivos.

Notando que há cerca de 1,500 vendedores de armas licenciados na região de Houston, Webb acrescentou, "Você pode ir a uma loja diferente em Houston por dia e fazer isso por meses sem alertar ninguém".

O caso ressalta um enorme obstáculo enfrentado pelos Estados Unidos conforme o país tenta atingir a demanda do México de cortar o fluxo de armas aos cartéis do tráfico. O sistema federal de rastreamento da venda de armas, criado ao longo dos anos para evitar infrações aos direitos estabelecidos na Segunda Emenda, dificulta que tendências suspeitas sejam percebidas rapidamente ou mesmo que compradores comuns possam ser diferenciados de contrabandistas.

Como resultado disso, em alguns Estados ao longo da fronteira sudoeste, onde as armas são fracamente reguladas, os contrabandistas podem evitar a detecção por meses ou anos. No Texas, Novo México e Arizona, os vendedores podem negociar um número ilimitado de rifles a qualquer um com uma carta de motorista e antecedentes criminais limpos sem ter que informar a venda ao governo. Em exposições de armas nestes Estados, há ainda menor regulação. Vendedores particulares, ao contrário dos licenciados, não precisam registrar o nome dos compradores, muito menos informar a venda ao governo.

Oficiais mexicanos estão desesperados para que os Estados Unidos impeçam o fluxo de armas que mantém os cartéis fortemente armados. Ao enviar compradores de fachada a lojas americanas, os cartéis mantém um arsenal de armas semiautomáticas como as metralhadoras AK-47 e AR-15, afirmam os investigadores.


Leia mais sobre México

    Leia tudo sobre: mexicoméxico

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG