Mestres da haute couture desfilam na semana de moda de Paris

PARIS - A crise econômica não chega a assustar as pessoas que ainda praticam a haute couture (alta costura), aquele pequeno mundo povoado pelos responsaveis por bordados, tecidos e penas que materializam a imaginação de alguns poucos couturiers ainda em atividade. Quando questionado se a economia havia afetado sua coleção de primavera, à mostra agora em Paris, Karl Lagerfeld da Chanel disse: Apenas como tópico nas conversas.

The New York Times |

A resposta é uma boa fachada, de certa forma. O mundo francês de bens luxuosos deve ser inviolável, confortável e seguro como um diamante Cartier em sua caixa. Por isso, quando a Chanel anunciou a demissão de 200 de seus funcionários temporários (cerca de 1% de sua força tarefa de 16,000 membros) o jornal Le Parisien chamou a notícia de uma bomba.

Vindo da Chanel, cujos donos, a família Wertheimer, nunca falam publicamente sobre seus negócios, isso foi realmente algo chocante (e pouco revelador sobre a verdadeira situação do luxo ou da Chanel, que teve lucros de venda em todas as suas divisões em 2008, segundo a companhia). As demissões foram reveladas inicialmente por sindicatos.

Há uma década, Pierre Berge, ex-presidente da Yves Saint Laurent, resumiu o problema contemporâneo da couture quando disse que a atividade é "o oposto de um negócio". Apesar das pessoas saberem o valor de mercado de um extravagante desfile de haute couture (que ajudam a promover produtos mais baratos como óculos de sol e perfumes) elas acham cada vez mais difícil entender seu valor real, que é fazer roupas requintadas e únicas usando todo tipo de habilidade no ofício das agulhas.

Daqui uma década, se houver mais de duas ou três casas ainda produzindo coleções de haute couture duas vezes ao ano, isso será uma surpresa. Os custos do trabalho altamente qualificado necessário para se fazer um vestido ou terno manualmente será um dos fatores principais para a morte da couture, assim como a passagem do know-how do design. Lagerfeld está no começo de seus 70 anos.

Ainda que pareça estranho, sempre haverá clientes para roupas excepcionais: a mulher ou filha de um bilionário do petróleo, a menina que sonha em se casar em um vestido couture. Sidney Toledano, chefe executivo da Dior, disse que a casa percebeu um aumento na quantidade de clientes couture nos últimos dois anos. Estes números são relativamente pequenos, com certeza, mas este interesse mostra que "demos mais sentido ao trabalho que fazemos", diz Toledano.

Os ternos e vestidos que John Galliano mostrou pela Dior certamente expõem as habilidades da casa (e o peso da história trazido por coleções antigas).  Usando uma paleta de azuis pálidos, rosa e bastante off-white inspirada em Flandres, Galliano usou o acabamento clássico da Dior como ponto de partida.

À primeira vista, as saias parecem descontroláveis (um efeito Galliano) mas ao olhar mais de perto o foco se torna claro.  A combinação é a história. As opção de Galliano por formas românticas fazem uma coisa essencial: lisonjeiam o rosto e a cintura. Usados com saia ou calças leves, abrem seus olhos para outras possibilidades de corte.

Dior não seria  sem um vestido de gala, mas ainda que estivessem, com delicados bordados, havia mais surpresa em seus vestidos de coquetel de cetim retos com a linha do pescoço aberta e um corsete quase escondido.


Por CATHY HORYN

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