Mesmo com boas intenções, reduzir os gases estufa é mais difícil do que o esperado

BOULDER ¿ Mesmo para Boulder, um ícone do planejamento urbano e da política correta, salvar o planeta não tem sido fácil. Aproximando-se do prazo e retardando os resultados em seus esforços para cortar as emissões de dióxido de carbono, líderes da cidade recentemente se comprometeram a redobrar os esforços.

The New York Times |

No começo deste mês, o Conselho da Cidade votou para aumentar o imposto sobre carbono da cidade ¿ uma cobrança baseada na quantidade de eletricidade consumida ¿ ao máximo de US$ 21 por ano, por residência, e US$ 94 por ano, para empresas.

E as pessoas de Boulder não são mesquinhas. Muitas das 20 ou mais cidades e comunidades de Colorado que tentam atingir as metas de corte dos gases estufa estão achando isso um desafio.

Os objetivos que as pessoas estão falando em alcançar são ambiciosos, disse Stephen Saunders da Organização Climática Rocky Mountain.

Oficiais de Boulder estão montando um plano para mandar técnicos de porta em porta para incentivar os residentes a instalarem lâmpadas econômicas ou impermeabilizantes. E líderes da cidade estão negociando com Xcel Energy para conseguir mais energia renovável na rede elétrica de Boulder.

Mesmo com tudo isso, permanece uma incerteza quanto a se Boulder estará apto a alcançar seu objetivo em reduzir as emissões de gases estufa para 7% abaixo da quantidade que tinham em 1990.

O que estamos tentando aqui é novo, inovador, disse Kara Mertz, assistente do supervisor ambiental da cidade. Ninguém nunca fez isso antes. Nossa intenção é conseguir que todos na cidade façam algo.

Os gases emitidos pelo homem ¿ primariamente do dióxido de carbono, ao queimar combustíveis ¿ estão se juntando na atmosfera, impedindo o calor de entrar e alterando o clima global, de acordo com estudos científicos das Nações Unidas.

Em 1997, o Protocolo de Kyoto pediu cortes de dióxido de carbono ¿ 183 países assinaram o tratado, mas os EUA não assinaram.

Então, as comunidades e Estados americanos, incluindo o Colorado, criaram suas próprias metas de redução. Boulder estacou seus objetivos de acordo com o Protocolo. A primeira meta do Colorado é a redução de 20% dos níveis de 2005 até 2020.

Boulder deve eliminar mais de 400 mil toneladas de suas emissões atuais de dióxido de carbono, cerca de um quarto do total de emissões, para atingir sua meta.

Outras comunidades estão achando o exercício tão assombroso quanto.

No ano passado, o Fort Collins ¿ a primeira cidade no Colorado a adotar a meta de redução de emissões quando se comprometeu em 1999 a cortar suas emissões até 2010, para 30% abaixo dos níveis registrados ¿ admitiu que não conseguiria atingir suas metas. O Conselho da Cidade adotou um novo objetivo de baixar em 20% os níveis de 2005, até 2020.

A incerteza também assombra Aspen. Embora oficiais da cidade digam que a Iniciativa Canary está caminhando para atingir seu objetivo ¿ 30% abaixo dos níveis de 2004 até 2020 ¿ eles também estão observando com preocupação um aumento contínuo do consumo de eletricidade na comunidade.

Não é fácil mudar o comportamento das pessoas, disse Kim Peterson, controlador de projetos da Iniciativa Canary. No governo local, podemos aprovar políticas e fornecer incentivos. Mas no fim, você não pode fazer as pessoas mudarem.

Algumas comunidades não estão preocupadas com seus objetivos climáticos. Em Denver, os líderes da cidade dizem que estão no alvo, após esforços iniciais terem produzido reduções estimadas em 1,4% das emissões de gases estufa entre 2005 e 2007.

Esperávamos que as emissões aumentassem com o aumento da população, disse Scott Morrissey, vice-diretor da Greenprint Denver.

Oficiais do Fort Collins dizem que a cidade conteve o aumento das emissões em face ao crescimento.

Esses objetivos não são por pessoa ou por metro quadrado, disse Lucinda Smith, planejador ambiental sênior da cidade. São metas líquidas, então para alcançá-las, você precisa fazer o necessário mesmo com o crescimento.

Para complicar mais os esforços, há o fato de que não há estratégias à prova de defeitos que funcionarão em toda a comunidade.

Em Aspen, a cidade tornou mais verde o serviço elétrico municipal, então mais de três quartos de seu poder vêm de fontes renováveis.

Ainda assim, residentes ¿ incluindo um grande número de proprietários de uma segunda casa ¿ estão demorando em abraçar os programas de energia eficiente de Aspen.

Em Boulder, a situação é o oposto. Mertz disse que os residentes estão interessados nos programas de economia da cidade.

Mas porque ela recebe os serviços da Xcel Energy, uma grande quantidade de energia usada pela cidade vem de plantas de queimas de carvão ¿ uma realidade que os líderes da cidade estão trabalhando com a Xcel para mudar.

A chave para cada cidade buscando reduções de emissões é determinar que a preocupação com o clima da cidade se torne um vício e envolva a população, disse Nathan Tatledge, diretor representante do Escritório de Recursos Eficientes da Comunidade, em Aspen.

Uma vez que você tenha uma quantidade de pessoas críticas envolvidas, isso se torna muito mais fácil, disse.


Por JOHN INGOLD


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