Mercado fecha as portas e prejudica imigrantes em Moscou

MOSCOU - O principal investigador criminal da Rússia chamava o lugar de a boca do inferno dos arredores de Moscou.

The New York Times |

Durante mais de uma década, o mercado ao ar livre Cherkizovsky foi uma grande reunião de cabanas de madeira compensada nas quais carne de cavalo e tartarugas vivas eram colocadas à venda ao lado calças jeans falsificadas na China, em uma explosão de comércio.


Trabalhadores do mercado retiram mercadorias após fechamento do local / NYT

Antes do mercado finalmente ser fechado, no mês passado, as autoridades disseram que um em cada 40 comerciantes eram portadores de alguma doença infecciosa como tuberculose ou sífilis.

Ainda assim, o motivo real de seu fechamento pode ter sido simplesmente que o mercado (e seu dono) vão na contramão da visão do primeiro-ministro Vladimir Putin para a nova Rússia.

A dificuldade neste caso é que o dono do mercado, Telman Ismailov, violou códigos não escritos de conduta empresarial que o colocou em conflito com Putin, de acordo com os analistas e jornais russos.

Além de desfalcar o império empresarial de Ismailov, o fechamento do mercado de Cherkizovsky também deixou cerca de 100 mil trabalhadores imigrantes sem emprego, desfez o maior bairro chinês da Rússia e encerrou um enorme sistema de distribuição de bens duráveis e importações.

"Claro que, se você aplicasse os códigos oficiais de higiene, incêndio e trabalho, nada era feito como deveria", disse Arseny Popov, autoridade da diáspora chinesa no país pela Academia Russa de Ciências, sobre as operações do mercado. "Mas nada acontecia lá agora que não tivesse acontecido nos últimos 15 anos".

A novidade era o investimento de US$ 1,4 bilhão de Ismailov, usando rendimentos do mercado, em um atrativo resort cinco estrelas há alguns quilômetros dali em um mundo luxuoso aparentemente sem conexão com o mercado, no litoral da Turquia. Era o chamado Mardan Palace, batizado em homenagem ao pai de Ismailov, com 560 quartos, 10 restaurantes, 17 bares e uma piscina do tamanho de um lago.

Não se sabe o que a respeito do luxuoso resort provocou tamanha repercussão entre os reguladores. A ostentação em tempos de crise econômica, o investimento no exterior de lucros conquistados na Rússia e uma medida para prejudicar Luzhkov, antigo rival de Putin, são sugestões que apareceram na imprensa russa.

Ismailov se recusou a ser entrevistado sobre o fechamento de seu mercado.

O lugar ofereceria trabalho a cerca de 50 mil imigrantes chineses e havia se tornado um centro de cultura chinesa, de acordo com Popov. Os outros grupos étnicos principais eram azerbaijões, tajiks, vietnamitas e números menores de afegãos e coreanos do Norte.

De acordo com a Federação Russa de Imigrantes, um grupo sem fins lucrativos, cerca de 100 mil pessoas trabalhava no local.

Os trabalhadores não podem fazer nada. Bakhodur M. Mirzoyev, tajik, estava sentado do lado de fora do mercado em uma  tarde recente. Ele está morando em uma estação de trem em Kazan.

"Querido Vladimir Putin, abra nossos contâineres", ele disse. "Nós queremos trabalhar."

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