Mensagens de texto ameaçam iraquianos de morte

Maioria das ameaças não pode ser rastreada, por ter sido enviada de aparelhos ou cartões SIM descartáveis do mercado negro

The New York Times |

Quando retornou ao Curdistão em fevereiro para se juntar a um nascente movimento de protesto local, Pishtewan Abdellah, um hematologista que vive na Austrália mas também tem um passaporte iraquiano, suspeitou que os manifestantes poderiam enfrentar um tratamento hostil por parte das autoridades curdas.

O que Abdellah não antecipou, porém, é que seria recebido com ameaças de morte por mensagem de texto. "Tenho recebido muitas delas", disse ele recentemente em uma entrevista em Bagdá, para onde fugiu após várias tentativas de sequestro. "Todos os dias".

AP
Soldados iraquianos em área devastada pelos últimos anos de conflito em Basra, no Iraque (7/4/2011)
Uma das poucas cujo teor pode ser divulgado diz: "Se você voltar para Erbil não vai ver o céu azul de novo".

Os meios digitais têm ampliado as vozes jovens em busca de democracia em todo o Oriente Médio, mas o outro lado da moeda é que as autoridades e os insurgentes também passaram a usar a tecnologias que em grande parte não estavam disponíveis antes da invasão dos Estados Unidos em 2003, especialmente telefones celulares, como parte de seu arsenal de intimidação.

No entanto, a maioria das ameaças não pode ser rastreada, por ter sido enviada de aparelhos ou cartões SIM descartáveis comprados no mercado negro.

Alvos

Entrevistas com os iraquianos sugerem que fenômeno acontecem em todos os estratos da sociedade, mas os jornalistas têm sido o principal alvo de tais táticas, especialmente durante os protestos.

Relatórios recentes do Human Rights Watch e da Anistia Internacional sobre abusos cometidos pelas forças de segurança mencionam ameaças de morte por mensagens de texto. "É algo que tenho notado há algum tempo, e é percebido em todo o Iraque", disse Samer Muscati, pesquisador do Oriente Médio para o Human Rights Watch. "Mas parece que está piorando. Quase todos organizadores de protestos com quem falamos e jornalistas também estão recebendo essas ameaças por mensagem de texto”.

Outras mensagens são os mecanismos de chantagem e de sequestro por resgate que florescem no país. Vários dos entrevistados disseram ter recebido mensagens exigindo pagamento para continuarem vivos. Um empresário de Kirkuk recebeu recentemente uma ameaça por mensagem de texto exigindo US$ 50 mil.

Em outras ocasiões, as mensagens são instrumentos de agressão sectária.

Muhammed Abdul Nasser, um estudante de 25 anos de idade de Adhamiya, um bairro sunita de Bagdá, chegou a receber uma mensagem de texto que dizia: "Nós somos os assassinos do Exército de Mahdi, sabemos que você vive perto do mercado do peixe. Vamos pegar você. Vamos pegar você”.

"Eu conheço algumas pessoas que fazem parte do Exército de Mahdi. Elas chegaram até quem enviou a mensagem e pediram que parasse”, contou Nasser.

*Por Tim Arango

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