Menos radiação pode ser mais eficiente contra o câncer de mama

Três semanas de tratamento radiológico funcionam tão bem quanto as cinco semanas ou mais recomendadas para tratamento em mulheres com estágio inicial de câncer de mama, afirmaram alguns pesquisadores canadenses, depois de acompanhar um grupo de pacientes por 12 anos.

The New York Times |

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Os resultados, apresentados numa conferência em Boston, apresentam algumas das maiores evidências de que a radiação pode ser diminuída para facilitar a vida das pacientes e permitir que as clínicas reduzam sua lista de espera e tratem mais mulheres sem ter que adquirir mais máquinas.

Os especialistas afirmam que a descoberta, de um estudo respeitado, pode mudar o padrão de cuidados clínicos nos Estados Unidos. O tratamento padrão agora envolve de cinco a sete sessões de tratamento e a maioria das mulheres receberia bem a chance de finalizar o procedimento antes (especialmente as que trabalham, têm filhos pequenos ou vivem longe das clínicas).

Cerca de 180 mil mulheres desenvolvem câncer de mama por ano nos Estados Unidos e a maioria delas precisa de radiação. Entre 30% e 40% podem ser candidatas ao tipo de tratamento oferecido pelo estudo.

Alguns centros de tratamento do país oferecem sessões mais curtas, mas elas são mais amplamente disseminadas no Canadá e Europa.

"Nós precisamos considerar o tratamento nos Estados Unidos", disse o Dr. Anthony L. Zietman, oncologista da Escola Médica de Harvard, do Centro de Câncer do Hospital Geral de Massachusetts e presidente eleito da Sociedade Americana de Oncologia e Radiologia Terapêutica.

Ele não teve envolvimento no estudo realizado no Canadá.

Mas Zietman alertou que os resultados se aplicam somente a mulheres que câncer em estágio inicial como os do estudo, que foram removidos através de cirurgias e não atingiram nódulos linfático. Geralmente, as mulheres com câncer neste estágio não precisam de quimioterapia.

Outras mudanças na radiação também podem acontecer. Médicos experimentam formas de tratar apenas parte da mama ao invés de toda ela e tornar o procedimento mais seguro ao evitar a exposição do coração e dos pulmões à radiação.

Os pesquisadores esperam que o tratamento mais rápido ajude a tornar a radiação mais disponível a um número maior de mulheres. Atualmente, entre 20% e 30% de mulheres norteamericanas que precisam do tratamento optam por não realizá-lo. Algumas mulheres que passam pela cirurgia de retirada do tumor combinada com a radiação preferem retirar toda a mama, simplesmente para evitar a radiação, porque vivem longe da clínica e não querem ter que ir e voltar para cada uma das sessões.

Por DENISE GRADY

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