Médicos não entendem necessidades culturais de pacientes, diz estudo

Quando pesquisadores refletem sobre a crescente evidência de que negros têm respostas piores a tratamentos de doenças crônicas, eles geralmente teorizam que os membros de minorias sofrem desproporcionalmente devido a um menor acesso à saúde. Agora um estudo sobre pacientes com diabetes descobriu que as disparidades raciais são ainda maiores, mesmo entre pacientes tratados pelos mesmos médicos.

The New York Times |

O principal autor do estudo disse em uma entrevista que atribuiu as diferenças menos ao racismo do que a uma falha sistemática em fornecer tratamento de acordo com as normas culturais dos pacientes. Segundo Dr. Thomas D. Sequist, professor de políticas de saúde na Escola de Medicina de Harvard, pode ser que os médicos não discriminem na forma como tratam seus pacientes.

"Não se trata dos médicos estarem tratando os pacientes de forma diferente", disse Sequist. "Mas sim de estarem fazendo a mesma coisa para todos os pacientes e não levando em conta suas necessidades individuais. Essa postura de um tratamento para todos pode fazer com que algumas necessidades de pacientes de uma minoria não sejam atendidas".

Por exemplo, aconselhar que pacientes negros ou latinos com diabetes diminuam o consumo de carboidratos cortando o arroz de suas dietas pode não ser uma estratégia realista.

"Nós recomendamos frutas e vegetais que fazem parte da cultura de uma pessoa, mas não de outra", disse Sequist. "Assim, não fornecemos informações que o paciente usará".

O estudo foi publicado na segunda-feira no jornal médico The Archives of Internal Medicine.

Os pesquisadores analisaram três métodos para o controle efetivo da diabetes: pressão sanguínea, níveis de colesterol LDL e hemoglobina A1c, que se refere ao nível de açúcar no sangue. Apesar de uma proporção similar entre brancos e negros realizarem o teste, menos negros mostraram um controle adequado de seus níveis nos três elementos.

Fatores socioeconômicos como renda ou plano de saúde explicam entre 13% e 38% da diferença racial, calcularam os autores. Mas eles encontraram disparidades muito maiores - entre 66% e 75% - em pacientes que foram tratados pelo mesmo médico.

"As diferenças raciais não aconteceram porque pacientes negros receberam tratamento de um médico que oferece um atendimento pior, mas sim porque desfrutaram resultados piores mesmo quando tratados da mesma forma", concluiu o estudo.

Os autores recomendaram que os trabalhadores dos sistemas de saúde aprendam mais sobre as comunidades minoritárias e seus pacientes para que possam aconselhar soluções mais eficazes.

Por KEVIN SACK

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