McCain rompe com televangelista após polêmica em torno de sermão sobre o holocausto

O senador John McCain rejeitou na quinta-feira o apoio do reverendo John C. Hagee, um televangelista, depois que um grupo de observadores da mídia veiculou um sermão no qual Hagee disse que Adolf Hitler e o holocausto fizeram parte do plano de Deus de expulsar os judeus da Europa e levá-los à Palestina.

New York Times |

McCain, o provável candidato à presidência pelo partido Republicano, pediu o apoio de Hagee por mais de um ano para usar suas credenciais com a religiosa direita americana. Mas a controvérsia danificou o apoio que McCain anunciou em uma coletiva de imprensa em fevereiro.

Em uma declaração na quinta-feira sobre o sermão do holocausto, McCain disse: "Eu acho essas afirmações e outras muito ofensivas e imperdoáveis. Eu não sabia delas antes do apoio do reverendo Hagee e sinto que preciso rejeitar seu apoio como um todo".

Arquivos de áudio do sermão, dos anos 1990, foram divulgados pela primeira vez na semana passada pelo website Talk to Action, que acompanha e analisa a direita cristã, e então reportado pelo The Huffington Post.

No sermão, Hagee disse que a Bíblia profetizou a brutalidade de Hitler. "Como Deus irá levá-los de volta à terra prometida? A resposta é pescadores e caçadores", disse Hagee, se referindo a como os judeus conquistaram o moderno Estado de Israel. "Um caçador é alguém que vem com uma arma e te força a algo. Hitler era um caçador".

E ele continua: "Isso poderá ser ofensivo para algumas pessoas. Bem, fique ofendido então: eu não escrevi isso. Jeremias escreveu. Era verdade e é verdade. Como aconteceu? Porque Deus permitiu que acontecesse. Por que aconteceu? Porque Deus disse, 'Minha prioridade para os judeus é que voltem à terra de Israel'".

Algumas pessoas compararam as declarações às do reverendo Jeremiah A. Wright Jr., ex-pastor do principal candidato à indicação democrata, o senador Barack Obama.

Mas McCain disse que seu relacionamento com Hagee é diferente. "Eu disse que não acredito que o senador Obama compartilhe as opiniões extremas do reverendo Wright", disse McCain em sua declaração. "Mas quero deixar claro que o reverendo Hagee não era meu pastor ou conselheiro espiritual e eu não frequentei sua igreja por 20 anos".

McCain tem cortejado membros da direita religiosa, depois de atacá-los há oito anos como "agentes da intolerância".

No momento em que a campanha de McCain emitiu a declaração na quinta-feira, Hagee emitiu sua própria, na qual retirava o apoio ao candidato.

- NEELA BANERJEE e MICHAEL LUO

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