McCain não desistiu de um Estado bem democrata

MOON TOWNSHIP ¿ Pessoas coçam a cabeça se perguntando: Por que o senador John McCain está aqui? O senador Barack Obama tem liderança de dois dígitos em pesquisas recentes na Pensilvânia. O senador John Kerry venceu o presidente Bush no mesmo estado em 2004. Os últimos três candidatos democratas ganharam também. E esse ano há 1,2 milhões democratas a mais que republicanos registrados no Estado.

The New York Times |


McCain concentra esforços em Estado democrata/ Foto: NYT

Mas nessas frenéticas últimas semanas da campanha de 2008, McCain tem ocupado tempo e dinheiro neste Estado que atualmente é democrata ¿ ele fez três paradas pelo local na terça ¿ como se sua vida política dependesse disso. E do ponto de vista de sua campanha, depende.

Precisamos ganhar na Pensilvânia no dia 4 de novembro e, com sua ajuda, nós iremos ganhar! McCain gritou para a multidão em sua primeira aparição do dia, em uma fábrica de manufatura em Bensalem, norte da Filadélfia, onde ele disse que Obama iria aumentar os impostos e que não se sabe se o candidato agüentaria uma crise internacional.

Os estrategistas de McCain insistiram que o estado e seus 21 distritos eleitorais estão ao seu alcance e são cruciais para o que eles sabem ser um caminho progressivamente estreito para a vitória. Eles dizem que suas próprias pesquisas mostram McCain apenas 7 ou 8 pontos atrás de Obama. (As pesquisas do Estado, conduzidas nas últimas semanas, que incluíam as agências de pesquisa Marist, Quinnipiac, Rasmussen, Survey USA e Allentown Morning Call, mostram Obama com uma liderança de dois dígitos,).

Os estrategistas do republicano também argumentam que o candidato tem dois apelos: aos eleitores da classe trabalhadora que são a favor das armas no oeste rural de carvão, muitos dos quais apoiavam a senadora Hillary Rodham Clinton de Nova York, nas eleições democratas primárias, e aos independentes e moderados nos condados indecisos da Filadélfia.

Quando olhamos os números, vemos que somos competitivos por aqui, contou Mark Salter, principal conselheiro de McCain, aos repórteres em Harrisburg, nesta terça. Ele acrescentou, Queremos conseguir o máximo que pudermos de pessoas que apoiavam Clinton.

Outra razão para o interesse de McCain na Pensilvânia deve ser a diminuição do mapa eleitoral, uma vez que o domínio de Obama deixa McCain com cada vez menos estados competitivos para fazer campanha, e a necessidade de evitar outra concessão embaraçosa como em Michigan, abandonada por sua campanha no começo desse mês.

Abrir mão da Pensilvânia duas semanas antes da eleição seria uma grande admissão de falha, disse G. Terry Madonna, diretor do Centro de Políticas e Assuntos Públicos na Franklin & Marshall College em Lancaster, onde apareceu McCain antes de um desagradável comício de 7 mil pessoas com sua vice, governadora Sarah Palin, em setembro. Eu acho que devasta psicologicamente toda campanha nacional quando eles decidem recuar do perigo e ir embora, disse Terry Madonna.

Um dos estrategistas sênior de McCain, Charles Black, disse que a campanha tinha sido melhor na Pensilvânia do que em qualquer outro estado democrata nos últimos meses e que McCain é uma candidato diferente do presidente Bush, que travou uma longa e cara batalha no Estado há quatro anos. Bush chegou perto, mas foi mal nos subúrbios da Filadélfia, disse o conselheiro, argumentando que a marca de desertor de McCain teria um apelo melhor nesses subúrbios, embora McCain tenha concorrido como um republicano tradicional nas campanhas para as eleições gerais.

A Filadélfia é uma das únicas cidades grandes no país onde os anúncios da campanha de McCain estão perto de ter a mesma extensão dos anúncios de Obama. Mas mesmo por lá, ele está atrasado apesar de tudo. Nesta terça, McCain reduziu efetivamente seus anúncios de campanha em outros cinco estados ¿ Colorado, Maine, Minnesota, New Hampshire e Wiscosin ¿ o que os democratas suspeitaram ser um esforço para desviar recursos para colocar empenho mais forte nos anúncios daqui (embora as economias dessas medidas ainda tenham que aparecer no Estado até terça à noite).

Os conselheiros de McCain afirmam não esperar que eleitores brancos rejeitem Obama, de Illinois, simplesmente por ser negro. Quando Mike DuHaime, diretor da campanha política, foi questionado, em uma chamada em conferência com repórteres nesta terça, sobre qual efeito ele acha que a corrida terá na Pensilvânia, ele respondeu Espero que não haja nenhum.

NYT
Apoio ao democrata ainda pode mudar
DuHaime rejeitou comentários feitos na última semana por um democrata da Pensilvânia, representante John P. Murtha, que disse ao jornal The Pittsburgh Post-Gazette não há dúvida de que o oeste da Pensilvânia seja uma área racista.

McCain fez referência aos comentários de Murtha em sua terceira parada do dia, na Robert Morris University, quando disse Acho que vocês devem ter notado que ultimamente os apoiadores do senador Obama têm dito coisas bem maldosas sobre o oeste da Pensilvânia. Enquanto a multidão vaiava, McCain começou a se enrolar em suas observações restantes. E você sabe, eu não poderia concordar mais com eles, ele disse, para silenciá-los, então se desviou para uma densa floresta de confusões antes de finalmente conseguir dizer, Eu não poderia discordar mais desses críticos; esta é uma parte maravilhosa da América.

Obama, que esteve na Flórida nesta terça, não tinha planos imediatos para retornar à Pensilvânia nos próximos dias, talvez o sinal mais marcante de que seus estrategistas estão confortáveis com sua posição no Estado. Mas oficiais democratas do local dizem que estão encorajando a campanha de Obama a mandarem-no para lá, ao menos uma vez antes do dia da eleição para reforçar o apoio.

Por enquanto, o jogo em solo agressivo está fora do caminho de Obama em todas as esquinas da Pensilvânia, onde centenas de trabalhadores da campanha e milhares de voluntários estão fortalecendo uma área de 80 escritórios, os quais democratas descreveram como o maior esforço organizacional em um Estado na história.

O senador Bob Casey, democrata da Pensilvânia, disse que a diferença no registro de eleitores era cerca de duas vezes mais quando o partido participou da corrida presidencial em 2004. Mas mesmo com essa diferença, ele disse que a história sugeriu que o estado permaneceria decidido até o momento final. Lyndon B. Johnson é o único candidato democrata à presidência em 50 anos que conseguiu mais do que 51% de votos.

Eu sempre tomo cuidado com a Pensilvânia, mas parece ser algo diferente quanto a todo esse sforço, disse Casey em uma entrevista nesta terça. A dinâmica mudou dramaticamente, não apenas no país todo, mas particularmente na Pensilvânia, por causa da afluência da situação econômica.

Após passar o último fim de semana procurando por eleitores indecisos em uma turnê no ônibus da família Casey pelo Estado, Casey disse que o ceticismo entre eleitores mais velhos quanto a Obama começou a decair após verem os dois candidatos lado a lado nos debates.

Há algumas pessoas, uma porcentagem de eleitores indecisos, que não viram os dois no mesmo palco, disse Cayse. Isso definitivamente colocou alguns eleitores mais velhos em seu lado.

Ainda assim, oficiais democratas do Estado disseram não acreditar que a Pensilvânia está absolutamente presa à Obama. Líderes de partidos não estão contando com as pesquisas, no caso de eleitores não estarem dizendo a verdade aos pesquisadores, mas sim nos esforços de vizinhos de identificar apoiadores.

Por ELISABETH BUMILLER and JEFF ZELENY

Leia mais sobre eleições nos EUA

    Leia tudo sobre: eleições nos eua

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG