McCain ameniza ataques e diz que é um líder para tempos difíceis

WILMINGTON ¿ Nesta segunda-feira, o senador John McCain lançou ao mar grande parte do tom raivoso de sua campanha, declarando que sua corrida para a presidência ainda não acabou e que tem experiência e espírito de luta para tirar a nação da crise.

New York Times |

Deixando os ofensivos ataques pessoais contra o senador Barack Obama nas últimas semanas, McCain adotou uma mensagem mais positiva do velho guerreiro feliz, imagem que usou durante as eleições primárias. Embora tenha se pintado como uma figura pessimista quanto à economia americana ¿ na verdade, de todo o estilo de vida americano ¿ disse que essa situação de calamidade pode ser arrumada por uma liderança forte que ele está pronto para oferecer.

Tenho lutado por esse país desde os 17 anos e tenho cicatrizes para provar, McCain contou em um comício de mais de 10 mil pessoas em Virginia Beach e, novamente, em uma pequena reunião no Cape Fear Community College. Se me elegerem presidente, lutarei para colocar a América em uma nova direção, do primeiro até o último dia de mandato.

Nos últimos dias, McCain enfrentou embaraçosas críticas de republicanos por promover o que chamam de uma campanha intensamente negativa e incoerente, que não oferece uma lógica em sua candidatura e que deverá prejudicar o partido pelos próximos anos. O discurso pareceu ter a intenção de ser um antídoto e os assistentes sugeriram que McCain aderisse a essa nova mensagem nas três semanas finais da campanha. Provavelmente ele também adotará esse tom no último debate com Obama, na noite de quarta-feira.

Apesar disso, nesta segunda, em uma entrevista à CNN, McCain continuou a criticar Obama por sua ligação com o radical dos anos 60, William Ayers, a quem ele chamou de terrorista sem arrependimentos. McCain disse que Ayers e sua mulher, Bernardine Dorhn, são fundadores do Weather Underground (Clima Subversivo), ainda querem destruir a América.

O discurso, escrito por Mark Salter, co-autor dos livros de McCain e conselheiro do candidato há duas décadas, era obscuro, com metáforas Salterescas ¿ Eu sei qual é a sensação do medo, é como um ladrão que chega à noite e rouba sua força ¿ e apontava que a campanha estava seis pontos atrás. McCain disse que a mídia nacional os descartou e que Obama está medindo suas forças.        

Em um trecho particularmente gélido, McCain disse: O mercado financeiro está em colapso. Os créditos estão escassos. As economias estão em perigo e a aposentadoria em risco. Empregos estão desaparecendo. O custo do plano de saúde, do ensino das crianças, do combustível e dos alimentos está crescendo o tempo todo sem previsão para parar, enquanto a propriedade mais importante ¿ o lar ¿ está perdendo o valor a cada dia.

Mas o discurso recordava a velha marca de McCain de um guerreiro experiente em quem, segundo ele, os eleitores deveriam confiar plenamente.

O próximo presidente não terá tempo de se acostumar com o gabinete, McCain disse, com sua parceira de chapa, Sarah Palin, a seu lado em aparição na Virginia. Ele não terá o luxo de estudar os temas antes de agir. Terá que agir imediatamente. E para fazê-lo, precisará de experiência, coragem, juízo e um ousado plano de ação para levar o país a uma nova direção.


Então, em crítica ao presidente Bush, ele acrescentou: Não podemos gastar os próximos quatro anos da mesma forma que passamos a maior parte dos últimos oito: esperando nossa sorte mudar.

Os consultores de McCain, que estão enfrentando pesquisas que mostram o momento de conquista de Obama, e os ataques negativos de McCain nas últimas semanas como amplamente contraprodutivos, disseram que ele deveria apresentar um novo discurso para a crise econômica. Douglas Holtz-Eakin, consultor-chefe econômico de McCain, contou aos repórteres que o discurso deve ter novas medidas específicas, embora não estivesse claro o quão extenso as medidas seriam.

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