Massacre na Noruega reaviva debate sobre islã e direita na Europa

Membros da direita na Suécia, na Itália e na França causam polêmia ao culpar multiculturalismo pelos ataques e questionar religião

The New York Times |

Menos de uma semana após os assassinatos em massa na Noruega , a evidência de uma mudança no debate sobre o islã e a direita radical na Europa parece estar tomando conta de um continente traumatizado.

Membros de partidos de extrema direita na Suécia e na Itália foram condenados por seus próprios partidários para culparem o multiculturalismo pelo ataque, conforme expressões de indignação com as mortes tomavam conta de todo o espectro político.

AP
A família da norueguesa Sumaya, 9 anos, tem origem na Somália, África (25/7)
Um membro da Frente Nacional da França, de extrema direita, foi suspenso por elogiar o homem responsável pelos ataques.

À espreita está a noção percebida por todos os lados de que tais tragédias podem levar a mudanças na opinião pública.

As ações violentas de um indivíduo homicida ou terrorista dificilmente podem ser atribuídas a partidos políticos não violentos. Mas os políticos começaram a questionar a retórica inflamatória no debate sobre os imigrantes, que ajudou a alimentar a ascensão de políticos de extrema direita em toda a Europa.

Sigmar Gabriel, chefe do Partido Social-Democrata da Alemanha, disse à agência de notícias alemã DPA na quarta-feira que uma tendência de xenofobia e nacionalismo havia promovido os ataques na Noruega. Em uma sociedade onde o sentimento anti-islâmico e o isolamento foram tolerados, “naturalmente, à margem da sociedade, haverá pessoas loucas que se sentem legitimadas na tomada de medidas extremas", disse.

De qualquer forma, ainda é muito cedo para saber quais serão as consequências políticas dos ataques.

A esquerda na Europa está fora do poder nos principais países, incluindo Grã-Bretanha, França, Alemanha e Itália - e tem se esforçado para encontrar uma causa para revitalizá-la. A direita, no entanto, pode achar mais difícil aceitar o apoio dos partidos de extrema direita após os eventos do fim de semana.

Crenças

Tentando ligar políticos tradicionais às crenças do norueguês Anders Breivik Behring , que as autoridades dizem ter assumido responsabilidade pelas mortes na Noruega e que seu advogado diz ser louco, é algo arriscado. (Saiba como o extremista executou os ataques na Noruega)

O manifesto de 1,5 mil páginas de Breivik, embora cheio de apelos à violência, também contém algumas passagens que ecoam as preocupações dos principais líderes políticos sobre a preservação da identidade nacional e seus valores.

"Muito do que ele escreveu poderia ter sido dito por qualquer político de direita", disse Daniel Cohn-Bendit, copresidente do bloco verde no Parlamento Europeu. "Muitos argumentos sobre os imigrantes e o fundamentalismo islâmico agora poderão ser muito mais facilmente questionados".

Mas especialistas afirmam que proibir os partidos políticos de extrema direita pode ter o efeito oposto do pretendido, afastando os indivíduos do diálogo e encorajando o tipo de filosofia de rejeição que leva à violência.

*Por Nicholas Kulish

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