Massachusetts rejeita proposta sobre dados de imigrantes do governo Obama

Procedimento prevê que detentos americanos e imigrantes tenham impressões digitais verificadas em bancos de dados criminais do FBI

The New York Times |

O governador de Massachusetts Deval Patrick decidiu que o seu Estado não irá participar de um programa de compartilhamento de impressão digital que é central para a estratégia de fiscalização de imigrantes do governo Obama, um novo golpe político contra um programa que tem encontrado resistência crescente por todo o país.

Massachusetts é o terceiro Estado a abandonar o programa chamado Secure Communities (Comunidades Seguras, em tradução livre), depois de o governador Pat Quinn cancelar a particação de Illinois, em maio, e o governador Andrew M. Cuomo suspender a participação de Nova York na semana passada.

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Manifestantes protestam por direitos dos imigrantes em Phoenix, no Arizona (foto de arquivo)
Todos os três são democratas de Estados com grandes populações de imigrantes e aliados próximos do presidente Barack Obama, principalmente em questões de imigração.

As ações dos governadores parecem gerar um confronto com as autoridades de imigração, que afirmam que o programa é obrigatório. Em uma carta na sexta-feira passada, a secretária de segurança pública de Massachusetts, Mary Elizabeth Heffernan, disse que Patrick havia concluído que não deve assinar nenhum contrato para participar do programa porque ele não cumpre o seu objetivo de deportar os imigrantes que foram condenados por crimes graves.

Heffernan também escreveu que as autoridades policiais estaduais temiam que o programa seja "muito amplo e possa impedir o relato de atividade criminal".

Ela repreendeu a Agência de Imigração e Alfândega, que executa o programa, pela transmissão de "mensagens contraditórias" sobre como ele funcionaria em Massachusetts e se os Estados são obrigados a participar.

De acordo com o programa, todo mundo que passasse pela cadeia, imigrantes e cidadãos americanos, teria suas impressões digitais verificadas em bancos de dados criminais do FBI, como já é rotina, e também nos bancos de dados do Departamento de Segurança Interna para verificar violações de imigração.

O Secure Communities, iniciado em 2008 sob o governo do presidente George W. Bush, tem se expandido rapidamente sob o governo Obama e está em funcionamento em 1.331 jurisdições locais em 42 Estados, segundo dados oficiais. A secretária da Segurança Interna, Janet Napolitano, disse que o programa operará em todo o país até 2013.

Em Massachusetts, Patrick disse em dezembro que estava inclinado a participar do programa, em parte porque acreditava que o Estado não tinha escolha.

Em algumas reuniões públicas muitas vezes tempestuosas, organizações de imigrantes falaram contra o programa, dizendo que ele age contra trabalhadores imigrantes ilegais que não cometeram crimes e cuja família está nos Estados Unidos legalmente.

Autoridades do Estado de Massachusetts, segundo Patrick, estão ansiosas por evitar qualquer confronto com Obama sobre a imigração, mas querem pressioná-lo a tentar aprovar uma reforma nas leis imigratórias, que incluiria o estatuto jurídico para imigrantes ilegais.

*Por Julia Preston

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