Mar Morto alimenta esperança de crescimento econômico

Israel, Jordânia e Autoridade Palestina buscam soluções para conter queda no nível da água que abastece indústrias e comércio

The New York Times |

Para muitos, o encolhimento do Mar Morto há muito sinaliza o seu fim iminente. Mas, mesmo com o desaparecimento contínuo de suas águas, o antigo lago salgado, onde nenhum peixe consegue sobreviver, está mostrando outros sinais de vida.

Em uma manhã recente, três ônibus lotados de mulheres judias ultraortodoxas de Jerusalém desembarcaram em uma praia privada perto deste pequeno assentamento israelense ao longo da costa do Mar Morto.

Elas desceram por passarelas de madeira que protegem os visitantes da escorregadia lama recém-exposta – que cresce constantemente, conforme as águas baixam. Finalmente, chegaram à água estranhamente flutuante e mergulharam seus corpos.

The New York Times
Mulheres de Jerusalém descem rampa para nadar no Mar Morto, na Cisjordânia

À noite, foi a vez dos homens judeus ultraortodoxos, enquanto em uma praia adjacente se reuniam jovens palestinos da Cisjordânia.

O Mar Morto há muito atrai visitantes em busca de sua singularidade – sua superfície agora está a cerca de 1.400 metros abaixo do nível do mar, fazendo com que estas praias sejam os pontos secos mais baixos da Terra.

A parte norte, localizada no território que Israel conquistou na guerra de 1967, é popular entre israelenses, peregrinos e turistas cristãos de Jerusalém. E no ano em que Israel relaxou as restrições de viagens na Cisjordânia, eliminando alguns obstáculos importantes, os palestinos também são capazes de chegar à região.

Em outro ponto de convergência, os governos de Israel, Jordânia, que fica do outro lado da água, e Autoridade Palestina juntaram-se numa tentativa de promover o Mar Morto como uma das sete maravilhas naturais do mundo moderno em uma competição na internet.

Com o nível da água agora caindo mais de 3 metros por ano, muitos esperam que a concorrência chame a atenção para formas de restaurar as águas.

O nível de água vem caindo vertiginosamente desde 1960, principalmente como resultado de Israel, Jordânia e Síria desviarem quase todas as águas do rio Jordão, que costumava alimentar o Mar Morto, para uso doméstico e na agricultura.

Indústrias de carbonato de potássio tanto em Israel quanto na Jordânia também desempenham um papel significativo no empobrecimento do Mar Morto, uma vez que o processo de extração baseia-se principalmente em lagoas de evaporação.

A bacia sul, onde estão localizadas as indústrias e a zona hoteleira de Israel, sempre foi rasa. Agora ela estaria completamente seca, não fosse pelas piscinas de evaporação industrial, onde a água é bombeada artificialmente a partir da bacia norte.

Uma solução proposta é a canalização da água do Mar Vermelho para o Mar Morto, algo que geraria energia hidrelétrica e o abastecimento de água dessalinizada, principalmente para a Jordânia, que sofre com a seca, e também ajudaria a reabastecer o Mar Morto. Os governos de Israel, Jordânia e Autoridade Palestina concordaram em um estudo de viabilidade patrocinado pelo Banco Mundial que já teve início.

Os ambientalistas, no entanto, temem o possível impacto do projeto e alertam, entre outras coisas, que a mistura das águas pode resultar em uma proliferação de algas que poderia dar ao Mar Morto um tom avermelhado. Alternativamente, uma camada de gesso branco poderia se formar no topo das águas.

Eles argumentam que o estudo está sendo apressado - os resultados serão divulgados no próximo ano.

Por Isabel Kershner

    Leia tudo sobre: oriente médiomar morto

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG