Mapa que deu origem a Nova York completa 200 anos

Traçado chamado de Mapa e Pesquisa da Ilha de Manhattan mapeou 11 avenidas e 155 ruas, base da megalópole

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Henry James o criticou um século atrás como uma "maldição topográfica primal”. O arquiteto e urbanista Rem Koolhaas contrapôs dizendo que a sua forma bidimensional criava "uma liberdade inimaginável para a anarquia tridimensional”. Mais recentemente, dois historiadores descreveram o mapa, independente de suas falhas, como "o documento mais importante no desenvolvimento da cidade de Nova York”.

Duzentos anos atrás, os comissários de rua aprovaram o traçado simples que formou o mapa da cidade de Nova York – a rígida grade de ângulos de 90 graus que estimulou o desenvolvimento de maneira sem precedentes, deu origem a engarrafamentos de veículos e a travessia de pedestres fora da faixa, além de criar uma nova geração de empresários que iria exponencialmente elevar o valor dos imóveis em Manhattan.

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Mapa de 200 anos atrás deu origem à rígida grade de ângulos de 90 graus da cidade
Hoje, o debate sobre o traçado, que mapeou 11 grandes avenidas e 155 ruas ao longo do que agora é conhecido como Manhattan, continua.

O traçado foi o grande nivelador da cidade. Ao aterrar milhões de metros cúbicos de terra e rocha, o projeto esculpiu quadras modestas e iguais (geralmente de 7m50 por 30m50) que foram disponibilizadas para compra. Isso fomentou o que Tocqueville viu como uma monotonia implacável, mas suas coordenadas também permitiram que motoristas e pedestres descobrissem onde estavam, física e metaforicamente.

O traçado aprovado por comissários de rua da cidade no dia 22 de março de 1811, estimulou o desenvolvimento através da criação de sete quilômetros de ruas de acesso regular e previsível. E também preparou as bases para quase 2 mil hectares de aterro que seriam adicionados à ilha ao longo dos próximos dois séculos. O traçado, que incorporou algumas ruas já existentes, também se mostrou surpreendentemente resistente.

Ele acomodou os veículos motorizados (depois da remoção de calçadas e inclinações). No século 19, ele permitiu a superimposição feita pelos planejadores do Central Park, além de superquadras como as de Stuyvesant Town e do Lincoln Center no século 20. No século 21, o traçado foi estendido para incluir apartamentos na Riverside Boulevard.

O que fez do traçado da cidade, formalmente chamado de Mapa e Pesquisa da Ilha de Manhattan, tão avançado para o seu tempo foi o fato de que em 1811 a grande maioria da população de Nova York vivia abaixo do que se tornou a Rua Houston – chamada Rua Norte na época.

Construção

Quando a Câmara Municipal foi concluída naquele ano, a sua fachada de trás foi coberta com arenito mais barato (em parte, segundo a lenda, porque como a maioria dos nova-iorquinos vivia ao sul do edifício não iria vê-la).

Joel Torres, atual reitor-executivo da Parsons New School for Design, sugere que o traçado voltará a ter importância agora que a mudança climática e o nível do mar colocaram a topografia na agenda urbana. "Qual será a aparência da cidade nos próximos 200 anos?", ele perguntou. "Talvez possamos começar a pensar em todos os quintais e telhados como esponjas, como uma paisagem permeável. Ao longo de 200 anos, nossa infraestrutura será construída peça por peça, bloco por bloco, comunidade por comunidade. Isso é muito diferente do que existia em 1811, quando era possível pensar apenas em aterros para a construção de quadras”.

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Cópia do mapa original, descrito por especialistas como "o documento mais importante no desenvolvimento da cidade de Nova York"
*Por Sam Roberts

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