Mantendo os pontos: Obama Vs Netanyahu

WASHINGTON ¿ Após a antecipação do encontro desta segunda-feira, na Casa Branca, entre o presidente Barack Obama e o primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu, a questão que está sendo feita nos círculos diplomáticos é: será que Obama abriu mão mais do que conseguiu obter?

The New York Times |

O primeiro encontro de ambos como líderes foi principalmente um exercício para quebrar o gelo. Mas em etapas iniciais de uma relação entre líderes de nações que devem ser muito mais tensas do que nos anos de Bush, seus acordos estão sendo analisados por sinais de quem tem a vantagem.

Oficiais americanos e israelenses previram uma troca de relação recíproca: Netanyahu tentaria tirar de Obama um cronograma para lidar com o Irã, com um prazo para Teerã parar o enriquecimento de urânio ou enfrentar sérias repercussões.

Em retorno, Obama pressionaria Netanyahu para se mover rapidamente em um plano de paz com os palestinos, assim como também parar a construção de assentamentos judeus na Cisjordânia.

Netanyahu conseguiu seu cronograma: Não teremos diálogo para sempre, disse Obama sobre o Irã, garantindo a Netanyahu que esperava saber até o final do ano, se o Irã estaria fazendo esforços de boa fé para resolver as diferenças.

Mas Obama não conseguiu o congelamento dos assentamentos. Na verdade, Netanyahu disse a ele que seria politicamente difícil parar as construções. Esse é um obstáculo para os objetivos de ampliar a paz, porque os vizinhos árabes de Israel caracterizaram o congelamento como uma precondição para o estabelecimento de relações normais entre eles.

O presidente americano também não conseguiu muito do premiê quanto ao plano de paz, nada além de uma promessa de aproveitar bem alguns compromissos que Israel concordou em participar de acordo com um roteiro, um plano de passos para alcançar a paz que não chegou nem próximo do objetivo de paz entre palestinos e nem israelenses, desde que o presidente George W. Bush o anunciou pela primeira vez em 2003.

Netanyahu, de fato, concordou em reiniciar o diálogo com os palestinos sem precondições. Mas não endossou explicitamente a noção de um possível Estado palestino, algo que seu predecessor, Ehud Olmert, já havia feito.

É por isso que estou fazendo essa pergunta, será que nosso presidente foi enganado? disse Martin S. Indyk, ex-embaixador dos EUA em Israel e diretor do Centro Saban na Instituição Brookings. Ainda não sabemos a resposta, mas ao menos ele que ele tenha conseguido algo mais de Bibi nesse encontro do que estão nos dizendo, essa pergunta pode ser feita.

Os dois líderes montaram grupos de trabalho para lidar com o Irã, a questão palestina e os vizinhos árabes de Israel. Os grupos se encontrarão periodicamente, disseram oficiais americanos e israelenses. Concordar em se encontrar com Israel para discutir regularmente sobre o progresso da administração com Teerã, mantém mais pressão ainda sob os EUA, dizem analistas.

Netanyahu disse, na quarta-feira, em Jerusalém que também pretende abrir um diálogo com a Síria, se o país não estipular precondições. Ao fornecer sua avaliação sobre o encontro em Washington, alguns oficiais americanos e israelenses, no geral, insistiram no anonimato ao falar sobre a questão sobre qual líder, se algum dos dois, ficou na vantagem.

Nesta quarta, oficiais da Casa Branca mantiveram que Obama havia aparecido com seus objetivos de paz intactos. O presidente foi claro, tanto pública e particularmente, sobre o fato de que todas as partes, incluindo os israelenses, têm obrigações ao ter conexão com assentamentos, com Gaza ou em relação aos dois Estados, disse um oficial sênior da Casa Branca.

De acordo com o oficial, Obama pressionou Netanyahu na questão dos assentamentos e acrescentou que oficiais americanos monitorariam a questão de perto, nos próximos meses. Ele caracterizou o encontro de segunda-feira como um começo: Esse foi um encontro inicial. Não foi um encontro de começo e fim.

Outro funcionário da administração disse que o cronograma do Irã não foi baseado em uma recompensa à Israel. Ele apontou que Netanyahu endossou uma sondagem diplomática com relação ao Irã ¿ um gesto significativo, dado o medo profundo de Israel quanto às intenções do Irã.

Ainda assim, o silêncio de Netanyahu quanto aos assentamentos preocupa os legisladores como o senador John Kerry, democrata de Massachusetts, que presidente do Comitê do Senado de Relações Exteriores. Kerry levantou uma questão, na quarta, com a secretária de Estado Hillary Rodham Clinton, quanto ela fez uma declaração diante da equipe.

Está claro que a atividade de construir assentamentos deve cessar, disse Clinton, apontando que ela pressionou Netanyahu sobre os assentamentos no jantar de segunda-feira. Essa é uma questão de grande preocupação e importância simbólica na região, não apenas para os palestinos, mas também para os outros.

Oficiais israelenses também discutem a noção de que Netanyahu de alguma forma enganou Obama. Obama pode ter um pouco menos de experiência do que Netanyahu, mas Obama sabe exatamente tudo o que os EUA estão fazendo, disse um oficial israelense.

Ele disse que a recusa de Netanyahu em explicitar o endosso de um Estado palestino agora não significa que ele não o fará mais tarde.


Leia mais sobre Israel

    Leia tudo sobre: israel

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG