Manifestantes protestam durante convenção de financiadoras nos EUA

SÃO FRANCISCO - Mais um dia de negócios habituais na convenção anual das financiadoras nacionais: alguns debates, algumas apresentações e uma tentativa de ataque a Karl Rove.

The New York Times |

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Rove, o estrategista republicano e ex-consultor do presidente Bush, foi confrontado no palco durante um debate na manhã de terça-feira por uma manifestante que tentou algemá-lo e prendê-lo "por traição". Rove tentou empurrá-la antes que um segurança entrasse em cena.

Ninguém se feriu e não houve necessidade de prisão, mas a situação foi apenas a última de uma série de ocorrências num evento que normalmente não tem este tipo de animação. Na segunda-feira, outro debate foi interrompido por manifestantes que exigiam uma moratória sobre as desapropriações enquanto pessoas gritavam do lado de fora usando alto-falantes.

A convenção foi marcada em São Francisco muito antes da crise nacional, do resgate de US$700 bilhões e de toda a recriminação que isso desencadeou. Mas o rancor dos manifestantes fez com que os representantes das financiadoras, como Gregory B. Lucas, corretor de hipotecas de Pomona, Califórnia, lembrassem com saudade dos antigos encontros.

"Nós tivemos passeatas nos anos 1990, mas aquilo era uma coisa boa", disse Lucas, que participa destes eventos há mais de 20 anos e relembrou como um grupo de banqueiros embriagados e nus animou uma das convenções. "Mas agora todo mundo nos culpa por tudo".

Cheryl Crispen, porta-voz da Associação de Financiadoras, organizadora da convenção, disse que não se arrepende de ter ido a São Francisco, uma cidade liberal onde a raiva contra as políticas financeiras da gestão Bush é palpável.

"Infelizmente eles escolheram este encontro para protestar contra o que querem protestar", disse Crispen. "Nós acreditamos no direito de expressão, mas acreditamos que há um momento e lugar certo para isso".

Público menor

Com cerca de 2.500 participantes, a convenção teve frequência 20% menor este ano, disse Crispen, algo que "espelha o que tem acontecido no setor". Essa nova realidade também pode ser percebida em alguns dos fóruns oferecidos, com nomes como "Eliminando a Desapropriação" e "Legislação Rápida: Como o Congresso tem Reagido ao Setor Imobiliário".

Claro, haviam otimistas na multidão. Lalit Maliwal, vendedor de Belle Mead, Nova Jersey, disse que a atual crise econômica tem ajudado seu setor de trabalho: a terceirização.

"Todos estão sofrendo", disse Maliwal. "Mas eu acho que tudo parece pior do que realmente é".

Os participantes também não parecem ter que economizar. O comediante Jay Leno e um grupo cover dos Beatles se apresentaram à associação na noite de terça-feira por US$1,990 a mesa.

Rove estava a caminho de Washington na tarde de ontem, de acordo com seu gabinete, e não pode ser localizado para comentar o assunto. Mas Lucas, por exemplo, disse que a manifestação não atingiu os bares do hotel Marriott, no qual os congressistas se hospedaram.

"Eu fechei muitos negócios naqueles bares", disse Lucas. "Não havia ninguém por perto para reclamar disso".

Por JESSE McKINLEY

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