Mandato chega ao fim em outra Casa Branca

ATLANTA - A réplica da mesa de George W. Bush ainda está no Salão Oval debaixo das bandeiras do Irã e dos Estados Unidos. O selo presidencial americano ainda adorna o tapete do chão do hall de entrada por cima da estampa de pele de zebra. A varanda observa a garagem para 75 carros e ainda é conhecida como Balcão Truman. Mas logo, a mudança chegará à réplica da Casa Branca de Fred Milani como mais uma casualidade da crise imobiliária nacional.

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Durante os últimos sete anos, quase tanto tempo quanto o presidente Bush esteve em Washington, Milani, um iraniano-americano que trabalha no desenvolvimento de imóveis, viveu em uma versão menor da mansão presidencial. Uma Xanadu particular para Milani, uma dor de cabeça para os vizinhos e destino de turistas em busca de uma fotografia, a casa de 1,5 milhões de m² se tornou um símbolo do crescimento da cidade.

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Réplica da Casa Branca feita pelo iraniano Fred Milani

Mas agora, como o atual ocupante da Casa Branca, Milani planeja deixar seu lar. "Eu não quero vendê-la", ele disse em um forte sotaque iraniano. "Mas farei isso".

No mês passado, Milani, 57, colocou a casa, no bairro de North Druid Hills, a alguns quilômetros do centro de Atlanta, a venda por US$9.88 milhões.

Um proeminente construtor de mansões de consumo fácil em uma cidade que antes mal conseguia se saciar delas, Milani se viu em dificuldades financeiras diante da diminuição da demanda por imóveis.
Ele evitou por pouco a desapropriação de sua casa duas vezes. Apesar de ter vendido cinco casas recentemente, ele está perdendo dinheiro em cinco outras que não foram vendidas e pagando empréstimos múltiplos.

A ideia de alguém vendendo uma réplica da Casa Branca (provavelmente a alguém de Dubai) é engraçada e dolorosa para os moradores de Atlanta, que tem um dos maiores índices de desapropriação do país, que atribuem, em parte, às políticas que vem da verdadeira Casa Branca.

A venda forçada de uma das casas mais caras da cidade, de propriedade de alguém que fez fortuna com a construção de outras casas, deixa clara a natureza da crise imobiliária. "A crise imobiliária tem afetado pessoas de todos os níveis", disse Mary Norwood, membro do Conselho Municipal de Atlanta. "Isso é devastador para toda a economia".

Nos últimos 20 anos, casas rurais deram lugar a grandes mansões no North Druid Hills, muitas das quais foram construídas por Milani mas nenhuma tão pouco convencional quanto a sua Casa Branca.

Os vizinhos se dividem em suas opiniões a respeito da casa. "De verdade, ficamos muito felizes de ter a Casa Branca ao lado", disse Keith Klugman, especialista em saúde mundial da Universidade de Emory. "Há uma certa graça, mas ele é um bom vizinho".

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Casa Branca vale está a venda por US$9.88 milhões

Gary Moss, professor de cinema aposentado, no entanto, tem outra opinião. "Certamente qualquer um pode construir o que quer que seja legal", disse Moss. "Mas minha preocupação é que as pessoas constróem casas que são muito maiores do que as necessidades de suas famílias. Elas parecem monumentos à afluência ao invés de monumentos ao que as pessoas realmente precisam".

Dentro de seus portões de aço, a Casa Branca de Atlanta é um pastiche singular de itens do Oriente Médio (tapetes, narguilés), kitsch da política americana (Abraham Lincoln e a Proclamação da Emancipação pintados na parede do quarto), iconografias religiosas (uma tapeçaria da "Última Ceia", um enorme crucifixo) e auto-promoção (um "M" escrito com azulejos no chão da piscina, em homenagem ao sobrenome Milani).

A pergunta de quem se interessaria por uma casa tão personalizada chega a Shawn Ghiai, corretora do imóvel. "Ricos compradores internacionais", disse Ghiai. "Ou talvez eu entrarei em contato com os concorrentes da Casa Branca real, talvez John McCain ou Ross Perot".
Milani trabalha no seu Salão Oval. Visitantes dormem no quarto Lincoln. Todos os 43 presidentes (além do presidente eleito Barack Obama) estão enfileirados em um pôster na cozinha.

Tudo isso de um homem que acompanha a política ocasionalmente.
"Realmente, eu não sou muito político", disse Milani. "O arquiteto me perguntou, 'Que tal eu construir a Casa Branca para você?' e eu disse sim. Esta é toda a história".

Ele votou para o presidente Bush duas vezes, mas depois que a economia piorou, se tornou um "grande fã" de Obama. Grande parte de seu apoio, no entanto, é reservado a Deus. Ele se converteu ao cristianismo em 1995 e sua casa reflete esta adoração.

No jardim da frente, Milani escreveu "Deus (coração) Você" com arbustos. Uma cena bíblica em tamanho real se encontra na sala de reza no porão, onde líderes de sua igreja convertem muçulmanos em cristãos.

Mas a principal peça da Casa Branca de Atlanta é um mural no teto que mostra Jesus falando a pessoas de várias raças. Um homem hispânico usa um sombreiro, um índio americano um cocal e aos pés de Jesus o próprio Milani, sua cabeça baixa em submissão.

"A casa é bem incomum, então pode ser um pouco difícil de vender", disse Ghiai. "Vender casas está difícil de qualquer forma, por causa da economia. Mas ainda há pessoas com dinheiro que aproveitam bons negócios".

Diversos compradores potenciais visitaram a propriedade e outra pessoa de Dubai espera poder vir em breve", disse Ghiai.

Apesar dos desafios, Milani e sua mulher, Yvonne, acreditam que God os irá ajudar a vender a casa. "Jesus sempre me ajudou", ele disse, "mesmo se no último minuto".

Quando questionado sobre onde irá morar em seguida, Milani disse que não sabe. Mas de brincadeira ele diz: "Posso construir um Congresso do outro lado da rua".

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