Malásia sofre com falta de empregadas domésticas

Escassez de mão de obra indonésia levou cerca de 35 mil malaios de famílias de classe média a aguardar em lista de espera

The New York Times |

Você entra pela porta e as roupas foram lavadas e passadas, o chão e os banheiros limpos. E o jantar está na mesa. Para a maioria das pessoas, o luxo de uma empregada em tempo integral é uma fantasia. Na Malásia, no entanto, embora a renda per capita anual seja de apenas 25 mil ringgit, ou cerca de US$ 8,1 mil, as empregadas passaram a ser comuns em famílias de classe média, em grande parte graças a um grupo de imigrantes em busca de trabalho de baixa remuneração vindo da Indonésia.

Mas 19 meses atrás, depois de relatos horríveis de espancamentos, estupros e outros abusos de empregadas domésticas por parte de empregadores malaios, a Indonésia impediu suas cidadãs de aceitar novos empregos como trabalhadoras domésticas no país.

Desde então, a ajuda doméstica se tornou escassa. E os malaios não estão felizes. "Agora, eu tenho de fazer tudo sozinha", reclamou Ivy Lopes, mãe de dois filhos em busca de uma nova ajudante doméstica há três meses.

Ela é uma dos cerca de 35 mil malaios em listas de espera por empregadas domésticas, de acordo com agências de recrutamento que conseguem trabalhadoras para vir para a Malásia, um país de 28 milhões de habitantes que é fortemente dependente da mão de obra barata e estrangeira.

O número de empregados domésticos estrangeiros na Malásia caiu de cerca de 270 mil em 2008 para 220 mil desde que a Indonésia impôs a proibição em junho de 2009, segundo a Associação de Agências de Serviços Domésticos da Malásia.

Poucas empregadas de outros países têm substituído as indonésias, disse Jeffrey Foo, vice-presidente da associação. E não muitos malaios estão dispostos a aceitar a posição por causa das longas horas e baixos salários.

Tentativas

As agências disseram ter tentado tudo o que podiam imaginar para tentar encontrar empregadas – como recrutar em outros países, como o Camboja, e tentar convencer o governo da Malásia a diminuir a idade mínima exigida para empregadas domésticas estrangeiras de 21 para 18 anos – sem sucesso.

Embora mais cambojanos tenham chegado ao país desde que a Indonésia impôs a proibição, Foo disse que eles não foram suficientes para superar a escassez. Muitos malaios preferem as indonésias por causa das semelhanças de língua, religião e cultura.

Conforme as queixas sobre a escassez aumentam, as negociações entre os governos da Indonésia e da Malásia continuam. A Indonésia quer que a Malásia garanta um salário mínimo para as empregadas domésticas – o salário mensal típico das indonésias na Malásia é de 500 a 600 ringgit, ou menos de US$ 200.

O país também quer garantir que as trabalhadoras domésticas recebam um dia de descanso semanal e uma melhor aplicação da lei que lhes permita ficar com o seu passaporte, antes que revogue a proibição.

*Por Liz Gooch

    Leia tudo sobre: malásiaempregadas domésticasindonésia

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG