Malásia estuda anistia para imigrantes ilegais

Segundo governo, plano poderia diminuir tráfico, aumentar receita e atrair investimentos de empresas estrangeiras

The New York Times |

A Malásia estuda implementar um conjunto de leis que pode se tornar seu maior programa para legalizar imigrantes ilegais. O país do sudeste asiático, que é moradia hoje de cerca de 2 milhões de imigrantes ilegais, depende muito da mão de obra estrangeira.

O plano, que começou a ser discutido em uma reunião da comissão de gabinete na quarta-feira, foi concebido para ajudar o governo a manter o controle dos trabalhadores estrangeiros, o que poderia melhorar a segurança nacional, reduzir o tráfico de seres humanos e aumentar as receitas fiscais.

Segundo os economistas, o esforço para conceder anistia aos trabalhadores ilegais também ajudaria a tornar a Malásia mais atraente para investidores, pois aumentaria a força de trabalho legal.

The New York Times
Imigrantes de Bangladesh trabalham em construção de refinaria, de capital australiano, perto de Kuantan, na Malásia (22/2/2011)
Os empregadores reclamam há muito tempo sobre a falta de mão de obra na Malásia, um país de 28 milhões de habitantes com uma taxa de desemprego de 3%. Muitas indústrias malaias, incluindo a plantação e a construção civil dependem fortemente de trabalhadores da Indonésia, Índia e Mianmar.

O ministro do Interior, Hishammuddin Hussein, disse que o governo está analisando várias agências privadas para ajudar o governo a registrar os trabalhadores ilegais. "Estamos começando com o sistema biométrico, já que podemos usar impressões digitais para registrar os imigrantes ilegais", disse ao jornal local The Star.

As declarações do ministro foram confirmadas por um oficial do ministério que pediu anonimato por não estar autorizado a comentar publicamente o programa.

O oficial disse que, embora o plano ainda não tenha sido formalmente aprovado, ele já foi amplamente discutido por vários ministérios. "Ele acabará por ter efeito", disse.

Aekapol Chongvilaivan, economista e coordenador de articulação da Unidade Regional de Estudos Econômicos do Instituto de Estudos do Sudeste Asiático, em Cingapura, disse acreditar que o governo malaio quer legalizar os trabalhadores estrangeiros porque isso criaria um grupo maior de trabalhadores legais. Isso, segundo ele, atrairia empresas estrangeiras para a Malásia e ajudaria na expansão das empresas nacionais entravadas pela falta de mão de obra.

Mas ele disse que o plano de anistia pode não ser bem recebido pelos malaios, que pode ter medo de perder empregos para os estrangeiros.

Shamsuddin Bardan, diretor-executivo da Federação dos Empregadores da Malásia, disse que as empresas receberiam bem a mudança para aumentar o número de trabalhadores estrangeiros legais. Ele afirmou que isso eliminaria o risco de que as empresas possam ser processadas por empregar imigrantes ilegais, embora tenha dito que esses processos são raros.

*Por Liz Gooch

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