Mais um desafio para o Haiti: reconstruir a economia

O preço de velas no mercado La Saline aumentou 60% desde o terremoto da última semana. Uma caixa de fósforos está 50% mais cara. Um pacote de peito de frango aumentou 30%.

The New York Times |

Conforme os haitianos começam a pensar em reconstruir sua economia, o rápido aumento dos preços de produtos cruciais é apenas um dos muitos desafios que enfrentam.

O porto também foi tirado de operação, prejudicando as exportações. O sistema bancário, em grande parte fechado por medo de assaltos, tem problemas para reiniciar suas operações. O terremoto destruiu o Ministério das Finanças e parte do Banco Central e matou funcionários sêniors, como Jean Frantz Richard, diretor da Agência de Coleta de Impostos.

"O choque na economia é enorme, afetando talvez 50% do nosso PIB", disse Daniel Dorsainvil, ex-ministro das finanças. "Os bancos têm medo de reabrir por causa das questões de segurança e para retomar as importações e exportações nós teremos que passar pela República Dominicana. Catástrofe é uma palavra quase suave demais para a nossa situação".

O desastre tomou conta da economia de tamanho equivalente a um décimo do estado do Novo México, que já era fraca antes do tremor.

Ainda assim, alguns dos problemas econômicos mais imediatos podem estar começando a melhorar. A gasolina já está mais disponível do que nos primeiros dias após o terremoto, ajudando a aliviar um próspero mercado negro local no qual alguns negociantes de rua vendiam o combustível por até US$ 8 o galão. Remessas de dinheiro de haitianos que vivem no exterior começaram a fluir novamente depois que o Western Union reabriu suas lojas na capital.

Autoridades estrangeiras e locais estão buscando lidar com inúmeros outros problemas, começando com a urgente falta de dinheiro na economia. Eric Overvest, diretor do Programa de Desenvolvimento da ONU para o Haiti, disse que um novo programa irá pagar aos haitianos cerca de US$ 3 por dia para que trabalhem em períodos de duas semanas para injetar dinheiro na economia.

A economia do Haiti já estava em dificuldades antes do tremor, com mais de 70% da população sobrevivendo com US$ 2 ou menos por dia. Mas também mostrava sinais de melhora, crescendo 2,9% em 2009, um das taxas mais altas do hemisfério.

Os economistas locais afirmam que a alta nos preços de alguns artigos, principalmente refrigerados, é relacionada à contínua falta de energia elétrica e esforços em se obter lucro rápido por causa da incerteza sobre o futuro.

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