Mães americanas buscam babás que falam língua estrangeira

Número crescente de pais que moram em Nova York procuram profissionais que possam ensinar outro idioma a seus filhos

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Quando Maureen Mazumder inscreveu sua filha, Sabrina, em uma aula de canto em espanhol há um ano, ela esperava que este seria o primeiro passo para ajudá-la a aprender uma segunda língua. Mas a aula não pareceu funcionar, por isso Mazumder decidiu contratar uma babá que não só iria cuidar de sua filha, mas também falar com ela exclusivamente em espanhol.

Mazumder, cuja filha tem quase três anos, não está sozinha.

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Callioppe Castro brinca com sua babá, Elena Alarcon, que fala espanhol, observada pela mãe americana

Embora a maioria dos pais que busca pessoas para cuidar de seus filhos ainda queira alguém que fale inglês, blogs e websites sobre educação de crianças indicam que um número notável de pais de Nova York está à procura de babás para ajudar seus filhos a aprender uma segunda língua - geralmente uma que nem mesmo eles sabem.

Pais citam várias razões para a contratação de babás que falam uma segunda língua com seus filhos. Alguns têm dificuldades em aprender idiomas estrangeiros e pretendem facilitar a vida das crianças. Alguns acreditam que isso os torna mais inteligentes. E, naturalmente, por causa da mistura cultural existente em Nova York, muitos pais têm uma conexão com outra língua e querem reforçá-la.

Há pouco tempo, muitos pais insistiam que suas babás estrangeiras evitassem falar sua língua nativa e só usassem o inglês com seus filhos, por medo que a outra língua pudesse atrapalhar no seu desenvolvimento da língua inglesa. Mas pesquisas mostram que o aprendizado de uma segunda língua torna mais fácil o aprendizado de outras.

Nos últimos anos, inúmeros neurocientistas e psicólogos têm procurado desvendar o impacto do bilinguismo no desenvolvimento do cérebro.

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A babá Elas Tarazona, contratada para falar apenas espanhol com William, de 11 meses
“Ele não torna as crianças mais inteligentes”, disse Ellen Bialystok, professor de psicologia da Universidade de York, em Toronto, e autor de “Bilingualism in Development: Language, Literacy and Cognition” (Bilinguismo no Desenvolvimento: Língua, Alfabetização e Cognição, em tradução livre).

A pesquisa de Bialystok mostra que as crianças bilíngues costumam ter vocabulários menores em inglês do que aquelas que sabem apenas esta língua, e que o vocabulário limitado tende a ser de palavras usadas em casa (espátula e suco), ao invés de palavras usadas na escola (astronauta, retângulo).

A medição do vocabulário é sempre em uma língua: o vocabulário coletivo de uma criança bilíngue em ambas as línguas provavelmente será maior. “O bilinguismo tem um custo, e o custo é o rápido acesso às palavras”, disse Bialystok.

Em outras palavras, as crianças têm de trabalhar mais para acessar a palavra correta na língua certa, o que pode atrasá-las – em milésimos de segundo, mas ainda assim o processo é mais lento.

Ao mesmo tempo, as crianças bilíngues se saem melhor em tarefas complexas como isolar informações apresentadas de maneira confusa, fato que os pesquisadores atribuem a um córtex pré-frontal (a parte do cérebro responsável pela tomada de decisão, como que língua usar com certas pessoas) mais desenvolvido.

Bialystok disse que para uma criança manter uma língua, uma babá provavelmente não é o suficiente.

“É uma solução interessante, que dá às crianças uma exposição consistente”, disse ela. “Mas por quanto tempo a babá estará por perto e com quem mais vai usar a língua?”

Por Jenny Anderson

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