Mãe trava guerra contra germes em playgrounds de lanchonetes

Erin Carr-Jordan coleta amostras das superfícies de brinquedos de restaurantes dos EUA para testar a higienização desses ambientes

The New York Times |

Uma mulher que deslizou através dos tubos de plástico coloridos de um playground localizado na parte externa de uma lanchonete fast-food no Arizona, Estados Unidos, em uma manhã recente, não estava se divertindo. Nem um pouco.

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Erin Carr-Jordan colheu uma amostra de escorregador de um de vários playgrounds do país

"Está ruim", disse Erin M. Carr-Jordan, com um cotonete na mão, enquanto coletava amostras da superfície para entregar a um laboratório que realiza testes microbianos.

Carr-Jordan, uma professora de desenvolvimento infantil e mãe de quatro filhos do Arizona, visitou dezenas de playgrounds em 11 Estados nos últimos meses para testar sua limpeza.

O que as inspeções e análises de laboratório revelaram foi uma presença generalizada de uma ampla gama de patógenos, de bactérias coliformes a staphylococcus, em níveis que, segundo os especialistas, revelam que os restaurantes não têm desinfetado os playgrounds como deveriam.

"Eu não fico muito chocado porque estou acostumado com isso", disse Philip M. Tierno Jr., diretor de microbiologia e imunologia clínica do Centro Médico Langone da Universidade de Nova York, que pesquisou alguns dos resultados de Carr-Jordan.

Ao mesmo tempo, Tierno disse: "Há indicativos muito altos e isso significa que esses locais não são limpos adequadamente ou não são limpos em geral".

A campanha de Carr-Jordan, que chamou a atenção da indústria de fast-food, começou em abril, quando ela parou em um McDonalds perto de sua casa na região de Phoenix, porque um de seus filhos precisava ir ao banheiro. Na saída, seus filhos perguntaram se podiam brincar no playground. Ela concordou e acompanhou as crianças até o local. O que ela viu foi alarmante.

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Erin colhe sujeita com um cotonete para levar a amostra em laboratórios e submetê-la a testes

"Meus filhos falaram: ‘Eca!’", ela lembrou da cena, que gravou com seu telefone celular e publicou no YouTube. "O local estava grudento e pegajoso. Havia palavrões e pichações rabiscadas por gangues. As janelas estavam imundas. Havia cabelo emaranhado e um band-aid abandonado no local".

Apesar de queixas para o gerente e várias visitas de acompanhamento, a área, de acordo com ela, não foi limpa. Assim, Carr-Jordan, que tem um Ph.D. em psicologia do desenvolvimento, tirou amostras que foram submetidas a testes.

Quando os resultados foram analisados, eles indicaram a presença de bactérias potencialmente prejudiciais. Ela, então, começou a inspecionar e testar os playgrounds em outras lanchonetes fast-food.

Os restaurantes dizem que têm políticas em vigor que exigem a limpeza regular dos seus playgrounds. Danya Proud, porta-voz McDonald, afirmou que a empresa tem procedimentos rigorosos de desinfecção, mas, mesmo assim, designou uma equipe para rever os procedimentos por causa das queixas de Carr-Jordan.

Por Marc Lacey

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