Luta pelas riquezas ocultas da Líbia será a próxima batalha

País governo por Muamar Kadafi mantém fundo soberano e US$ 70 bi em ativos, além de participação em editora e clube de futebol

The New York Times |

Enquanto a batalha pela Líbia continua, a luta pelo controle dos fundo soberanos do país e seus US$ 70 bilhões em ativos apenas começou. Com uma quantidade considerável de dinheiro vivo e participações em algumas empresas europeias de elite - incluindo a editora britânica Pearson e o clube de futebol italiano Juventus - o fundo já serviu como um cartão de visitas enfático de seu fundador, Saif al-Islam Kadafi, filho do governante líbio que já foi considerado o reformador da família.

Formalizado em 2007, no início da crise financeira, o fundo foi usado por Kadafi em um esforço para mostrar que a Líbia estava prestes a se abrir para o Ocidente. Ele ajudou a colocar na órbita de Kadafi uma série de figuras poderosas, incluindo a família Rothschild, o príncipe Andrew da Grã-Bretanha, o ex-comissário de comércio europeu Peter Mandelson, a nata da sociedade empresarial da Itália, e os investidores dos Estados Unidos Stephen Schwarzman, da Blackstone, e David Rubenstein, da Carlyle Group.

Os Estados Unidos afirmaram que pretendem congelar qualquer ativo da Autoridade de Investimento da Líbia controlado por instituições americanas, apesar de nenhum banco específico ter sido identificado publicamente. Na Grã-Bretanha, os oficiais dizem que o fundo será impedido de negociar seus ativos, que incluem, além de sua participação na Pearson, uma pequena carteira de investimentos imobiliários comerciais em Londres.

Mas o que ainda não ficou claro é até que ponto os US$ 50 bilhões ou mais em dinheiro e valores mobiliários líquidos do fundo, que operava sob o controle indireto de Saif, está acessível para o regime de seu pai, o coronel Muamar Kadafi.

Praticamente todas as riquezas da Líbia provêm do petróleo e, enquanto o país pode muito bem estar sentado sobre uma montanha de dinheiro, a implantação desses montantes nos mercados internacionais para comprar armas ou pagar mercenários deve ser difícil.

Funcionamento

Pessoas que trabalharam de perto com o fundo afirmam que o seu funcionamento interno é um mistério. Ele fez seu primeiro investimento no exterior em 2008. A maioria do dinheiro está, provavelmente, na Líbia ou em outros bancos no Oriente Médio fora do alcance de sanções.

Enquanto os banqueiros dizem que parte do dinheiro está provavelmente sendo gerida pelos bancos de investimento que agressivamente conquistaram a fundo em seus primeiros dias, eles dizem que também é provável que a maior parte dos ativos sejam mantidos no sistema bancário líbio, de grande liquidez - um reflexo da longa experiência do país com sanções ocidentais.

*Por Landon Thomas Jr.

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