Luta contra corrupção no Afeganistão é teste para EUA

Governo americano tenta erradicar problema do país, ao mesmo tempo em que busca não alienar governo Karzai

The New York Times |

No momento em que as investigações de corrupção começam a se concentrar no círculo íntimo do presidente Hamid Karzai, em 16 de agosto um oficial afegão colocou a culpa pela corrupção endêmica no Afeganistão em empreiteiros estrangeiros, dizendo que eles criaram uma “máfia econômica” no país devastado pela guerra.

O que começou com a prisão de um assessor pouco conhecido de Karzai em pouco tempo tornou-se um teste significativo dos esforços do governo Obama para erradicar a corrupção no Afeganistão, mesmo enquanto tenta não alienar o governo de Karzai.

Os dois objetivos estão entrando em conflito no momento em que o apoio popular à guerra nos Estados Unidos está diminuindo e a frustração no Congresso sobre o governo de Karzai está aumentando.

As investigações que levaram à prisão do assessor, Mohammed Zia Saleh, membro do Conselho Nacional de Segurança do Afeganistão, estão sendo realizadas por investigadores afegãos que são fortemente apoiados pelos Estados Unidos.

Karzai admitiu no dia 22 de agosto que interveio pessoalmente para garantir a libertação do assessor e disse que vai impor novas regras sobre os investigadores.

Alguns oficiais americanos e especialistas estrangeiros foram advertidos de que a escalada de tensões entre Washington e Cabul poderia minar a estratégia dos Estados Unidos no Afeganistão, destinada a combater o grupo islâmico do Taleban e fortalecer as instituições do governo antes de uma retirada militar planejada para início do próximo verão (junho, no Hemisfério Norte).

“O governo está empenhado em um ato de equilíbrio delicado no Afeganistão, em que o objetivo principal é a estabilidade”, disse David Rothkopf, ex-oficial do governo Bill Clinton e especialista em segurança nacional. “Há algumas coisas que eles precisam para obter estabilidade: uma delas é de instituições governamentais em que as pessoas possam confiar e não queiram derrubar. E outra é que as instituições governamentais sejam fortes o suficiente para sobreviver politicamente.”

“E o cálculo no Afeganistão é que você precisa de Karzai para obter o segundo e você precisa de anticorrupção para obter o primeiro. O problema é que Karzai é muito associado à corrupção”, disse Rothkopf, “por isso, se os esforços anticorrupção são muito vigorosos, eles vão minar esse aliado”.

Numa coletiva em 16 de agosto, Waheed Omar, porta-voz de Karzai, falou sobre as críticas feitas pelo presidente afegão durante uma entrevista à ABC News no dia anterior e culpou os empreiteiros estrangeiros de gastar dinheiro destinado à reconstrução causando grande parte da corrupção do Afeganistão.

Ele disse que a nova regulamentação do governo controlará os dois órgãos apoiados pelos EUA contra a corrupção, a Força-Tarefa de Grandes Crimes e a Unidade de Investigação Sensível.

Até ao final do dia, no entanto, o palácio presidencial não tinha emitido o decreto. Oficiais do governo americano disseram não saber ao certo o que pensar das declarações de Karzai.

O governo Obama tem feito do combate à corrupção no Afeganistão um pilar da sua política no país, e as duas novas agências têm sido particularmente bem-sucedidas em apreender os suspeitos de corrupção, com pelo menos 52 pessoas agora sob custódia por corrupção e acusações de tráfico de drogas.

* Por Roda Nordland e Mark Mazzetti

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