Luta contra aids perde força com fracasso de compromisso de fundo

Em reunião, Fundo Mundial de Combate à Aids, Tuberculose e Malária consegue arrecadar montante insuficiente para medicamentos

The New York Times |

Em outro sinal de que a batalha mundial contra a Aids está desmoronando por falta de dinheiro, o Fundo Mundial de Combate à Aids, Tuberculose e Malária fracassou na terça-feira em conseguir o menor “nível aceitável" de fundos ao não arrecadar os US$ 13 bilhões minímos que dizia necessários para continuar a tratar os pacientes nos mesmos índices atuais.

O compromisso de 40 países, que participaram de uma conferência de dois dias realizada em Nova York, atingiram US$ 11,7 bilhões que serão investidos ao longo dos próximos três anos. As promessas foram anunciadas na Organização das Nações Unidas. O fundo tinha esperança de arrecadar US$ 20 bilhões para acompanhar o crescimento da epidemia.

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Prostituta infectada pelo vírus da Aids em sua casa, em Chilakaluripet, na Índia, onde há 5,1 milhões com HIV
"Ninguém que está em tratamento será cortado, mas as metas para os próximos anos precisarão ser diminuídas", disse Michel Kazatchkine, diretor-executivo do fundo. Segundo ele, “é preciso reconhecer que o valor arrecadado não será suficiente para atender a demanda esperada e deve levar a decisões difíceis nos próximos três anos". Ele não pode estimar exatamente quantas mortes resultarão disso.

O fundo paga por medicamentos contra a Aids para quase 3 milhões de pacientes no momento e ainda pode ser capaz de chegar a 4 milhões até 2013. Mas tinha a esperança de chegar a 5 milhões ou mais.

Cerca de metade das pessoas mais pobres do mundo em tratamento recebem dinheiro do fundo. Durante o governo do presidente George W. Bush, teve início o Plano de Emergência para o Alívio da Aids nos Estados Unidos, (PEPFAR na sigla em inglês).

33 milhões infectados

Estima-se que 33 milhões de pessoas estejam infectadas no mundo, um número que cresce em cerca de um milhão de pessoas por ano após a adição de novas infecções e subtração das mortes. Desse número, cerca de 14 milhões já estão tão doentes que, sob as diretrizes da Organização Mundial da Saúde, precisam ser medicados. Parece cada vez mais provável que esse número irá ultrapassar o número de pessoas que recebem remédios.

Os Estados Unidos prometeram US$ 4 bilhões, que representam um aumento de quase 40% em relação a sua participação anterior. O país é de longe o mais generoso doador e a maioria dos países aumentou menos suas contribuições.

França, Canadá e Noruega, aumentaram 20%, e o Japão, 28%. Grã-Bretanha, Suécia e Holanda não puderam se comprometer em virtude do ciclo de orçamento, mas devem aumentar sua contribuição nessa mesma estimativa. Itália e Espanha não deram nada. A África do Sul, que tem a pior epidemia mundial de Aids, fez uma contribuição simbólica de US$ 2 milhões. Rússia e China doaram US$ 60 milhões e US$14 milhões, respectivamente, muito menos do que os oficiais do fundo esperavam.

Para alcançar o objetivo do fundo de arrecadar US$ 20 bilhões, todos os países teriam de duplicar sua doação.

*Por Donald G. McNeil Jr.

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