Lula tem trabalho mais fácil do mundo para promover Rio 2016

O trabalho mais fácil do mundo pertence ao presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, que apoia o Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016.

The New York Times |

Tudo o que Lula tem que fazer é dizer que "o Rio tem as praias mais bonitas do mundo" e ele tem atenção imediata.

Na terça-feira ele fez esta simples declaração em um português gutural, com tradução para o inglês, e imediatamente eu estava imaginando as longas e espumantes ondas com o Corcovado ao fundo e, bem, eu confesso que também imaginei "A Garota De Ipanema."

Em uma semana, Lula seguirá para Copenhague para a votação do Comitê Olímpico Internacional no dia dois de outubro, que decidirá entre Chicago, Tóquio, Madri e Rio. Ele certamente mencionará praias. Mas ele também usará alguns outros pontos estratégicos de seu argumento: o Brasil é uma economia emergente gigante e merece representar a América do Sul, que nunca sediou uma Olimpíada.

Antigo sindicalista e torneiro mecânico, Lula fala com paixão sobre as crianças pobres do Brasil ou Argentina ou Colômbia que poderiam "pegar um ônibus ou um caminhão" para ver os jogos. Não está claro se qualquer um dos 106 membros do comitê com direito a voto serão incfluenciados por este sentimento populista.

De Nova York onde visitará as Nações Unidas antes de seguir para Pittsburgh para a cúpula do G20 na quinta-feira e sexta-feira, Lula depois viajará para Copenhague. Ele está seguindo o exemplo do Primeiro-Ministro Tony Blair que voou para Cingapura em 2005 e conversou com membros do COI, convencendo-os a escolher Londres para a Olimpíada de 2012.

E de Vladimir Putin que, como presidente da Rússia, viajou para Guatemala em 2007 e usou seu charme da KGB até a cidade de Sochi ser escolhida como sede dos Jogos de Inverno de 2014.

Depois destas duas missões, a sabedoria popular diz que a ausência de um chefe de Estado na sala antes que os membros votem pode ser ruim.

"Eu tenho informações de como Londres ganhou", disse Lula. "E sim, Blair falou com muitas pessoas". Sebastian Coe, líder da campanha de Londres e medalhista de ouro, também pode ter conquistado alguns delegados quando Londres venceu Paris pelos jogos de 2012. Mas a questão é: a fala mansa pode ajudar.

Com isto em mente, o novo Primeiro-Ministro do Japão, Yukio Hatoyama, está considerando viajar a Copenhague e o Rei Juan Carlos da Espanha deve participar. Mas o presidente Barack Obama disse que não vai.

"Eu defenderia nossa campanha pessoalmente em Copenhague se não estivesse tão firmemente comprometido em transformar a promessa de um atendimento de saúde de qualidade para todos os americanos em realidade", disse Obama recentemente, acrescentando, "mas a boa notícia é que estou enviando uma super-estrela ainda maior para representar a cidade e o país que nós amamos e ela é a nossa primeira-dama".

Questionado se o comparecimento de um chefe de Estado ajudará na escolha, Lula confessou que tem conversado com membros do COI há dois anos. Quando alguém notou que Michelle Obama representaria os Estados Unidos em Copenhague, da Silva disse que levará sua esposa, "assim seremos dois contra um."

Mais prejudicial do que a ausência do presidente Obama é a realidade de que a atual chefe-executiva do Comitê Olímpico dos Estados Unidos, Stephanie A. Streeter, e seu presidente, Larry Probst, têm pouco poder no COI, que é conhecido como um clube fechado a quem tem contatos.

O presidente do COI, Jacques Rogge, disse, de maneira agravada, que disputas com o comitê americano a respeito do compartilhamento de renda e de uma proposta rede Olímpica nos Estados Unidos não terão "nenhum efeito negativo" na candidatura de Chicago.

O plano amplamente atraente apresentado pela grande cidade de Chicago poderia ser prejudicado pelo fato de alguns membros do COI ainda estarem infelizes a respeito de terem perdido benefícios oferecidos por cidades em campanha depois que foi revelado que favores ajudaram a trazer os Jogos de Verão de 1996 a Atlanta e os Jogos de Inverno de 2002 a Salt Lake City.

Todas as quatro cidades finalistas para 2016 receberam boas respostas do comitê no começo do mês. A maior crítica ao Rio mencionou violência, mas Lula rebateu dizendo que o Brasil nunca sofreu um ataque terrorista evidente, e contou como os jovens pobres das favelas do país ajudaram a impedir os roubos durante eventos esportivos recentes.

Falando a representantes convidados de cerca de uma dúzia de jornais, Lula disse que o Brasil tem a maior economia de qualquer nação que ainda não sediou os Jogos de Verão. Ele deu ênfase ao desenvolvimento de bacias de petróleo na costa do Brasil e a indústria aeronáutica do país.

"Nós não somos o 'paisinho' que as pessoas pensavam", ele disse.

Ele notou que o Brasil será o anfitrião da Copa do Mundo de 2014 e que a infra-estrutura que será criada para o torneio será útil para 2016. Mas a melhor infra-estrutura de todas pode ser a areia e as ondas.

Espere um momento: os Jogos Olímpicos de 2016 serão em agosto, que é o final do inverno ao sul do Equador. Porém, ao verificar a temperatura média do Rio nesta época descobrimos que ela fica entre 18º e 24º Celsius. Muito agradável para uma caminhada na praia, alguém do comitê brasileiro me assegurou. Sem dúvida Lula mencionará isto aos membros do COI.

- George Vecsey

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