Longe do Marco Zero, pastor planeja queimar cópias do Alcorão

Religioso da Flórida atrai apoio e críticas de todo o mundo por planejar manifestação antimuçulmana pelo 11 de Setembro

The New York Times |

Se a construção de um centro islâmico perto do Marco Zero equivale à epítome da insensibilidade contra os muçulmanos, como os críticos do projeto afirmam, o que o mundo achará de Terry Jones, o pastor evangélico que planeja lembrar os ataques do 11 de Setembro queimando vários volumes do Alcorão em uma fogueira?

Jones, de 58 anos e gerente de um antigo hotel, argumenta que, como um cristão americano, ele tem o direito de queimar o livro sagrado do Islã, pois "está cheio de mentiras". E, em outra época, ele poderia ter sido facilmente ignorado, como foi no ano passado, quando colocou uma placa em sua igreja, que declarava "o Islã é do diabo".

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Terry Jones, pastor evangélico, é visto com placas do lado de fora de sua igreja que dizem: "O Islã é do diabo"
Mas agora o foco mudou. Com o debate em Nova York colocando tensões religiosas sob os holofotes , Jones de repente atraiu milhares de fãs e críticos no Facebook, enquanto ao redor do mundo ele está sendo apresentado como um símbolo do sentimento americano anti-islâmico.

Os líderes muçulmanos de vários países, incluindo Egito e Indonésia, condenaram ele e sua igreja, a Dove World Outreach Center.

Um grupo islâmico na Inglaterra também integrou seus esforços em um vídeo do YouTube que encoraja os muçulmanos a "levantar e agir", ampliando a preocupação de que Jones – embora claramente uma figura marginal, com apenas 50 membros em sua igreja – pode provocar tumultos ou terrorismo.

Jones disse que esperava sinceramente que a sua planejada fogueira de Alcorão não conduzisse à violência. Ele descartou a ideia de que poderia colocar as tropas americanas em um risco maior e disse que sua igreja estava sendo perseguida.

Ele disse que recentemente o banco exigiu o reembolso imediato do saldo de US$ 140 mil da hipoteca da igreja, que o seguro de bens tinha sido cancelado desde que ele anunciou no final de julho que tinha a intenção de queimar exemplares do Alcorão e que ameaças de morte agora acontecem regularmente.

"Temos de ser cuidadosos", disse. Ele tocou num coldre na coxa direita de seus shorts jeans, no qual guardava uma pistola calibre .40, que disse ter autorização para carregar. "A resposta global", acrescentou, "tem sido muito maior do que esperávamos".

Jones parece estar, em grande parte, alheio às possíveis consequências dos seus planos. Ele disse que nada em particular o fez tomar essa atitude. Questionado sobre o seu conhecimento do Alcorão, ele disse claramente: "Não tenho experiência com isso tudo. Só sei o que a Bíblia diz."

Alguns de seus vizinhos já estão planejando protestar com placas pedindo unidade. Mais de uma dúzia de casas de culto de várias religiões também pretendem responder coletivamente no fim de semana do 11 de Setembro para "afirmar a validade de todos os livros sagrados", disse Larry Reimer, pastor da United Church of Christ.

Alguns muçulmanos locais como Saeed Khan rejeitaram a raiva desse momento de turbulência. Mesmo se os muçulmanos fora dos Estados Unidos responderem à planejada queima de exemplares do Alcorão com protestos (ou pior), Khan disse que passará o 11 de Setembro fazendo a mesma coisa que fez no ano passado. Ele irá ao centro da cidade, a poucos quilômetros de Jones, distribuir alimentos aos sem-teto.

* Por Damien Cave

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