Lojas vazias viram galerias temporárias em Londres

LONDRES - Três meses atrás, o pintor Simon Tarrant, 44, que nunca teve representação em galerias locais e apenas duas exposições solo em sua carreira de 15 anos, decidiu tentar algo diferente.

The New York Times |

Ele chegou aos donos de um edifício desocupado em uma rua movimentada de um dos bairros mais ricos de Londres e em junho obteve permissão para transformar o espaço em um local para exposições, onde duas de suas obras semi-abstratas agora ostentam as paredes.


The Queen's Elm, em Londres, já foi pub e loja mas agora serve
como galeria de arte temporária

Com quatro andares de tetos altos e janelas grandes, o prédio (antigamente uma boutique de moda na Fulham Road, no bairro de Chelsea) é uma galeria ideal para a arte de Tarrant, juntamente com outros 14 de seus amigos e conhecidos.

Mas o melhor disso tudo, do ponto de vista de Tarrant, é que ele (ou o grupo Queen's Elm Artists, coletivo que recentemente ajudou a formar) poderá usar o espaço até o final do ano sem pagar aluguel.

Na Inglaterra como na América, a recessão forçou muitas lojas a fecharem as portas ou mudarem de endereço para lugares mais baratos, deixando para trás vastos espaços que geralmente permanecem vazios.

De acordo com a empresa de pesquisas do setor de varejo Local Data Co., a taxa de abandono de lojas comuns em Londres chegou a quase 12% no final de junho, um aumento considerável dos 4% do ano passado.

Antes de Tarrant, o prédio de Chelsea permaneceu vazio por mais de um ano.

Agora, curadores independentes e artistas empresariais como Tarrant estão aproveitando a brecha, persuadindo os proprietários e conselhos municipais para que lhes concedam estes espaços desocupados ainda que temporariamente.

Galerias se disseminaram por todo o país, principalmente em Londres, em locais tão variados quanto espaços comerciais, revendedoras de automóveis e vídeo locadoras.

"Ter um lugar como o prédio da Fulham Road é um sonho que se tornou realidade" para artistas sem galerias, disse Tarrant, mas o arranjo também oferece benefícios óbvios a um proprietário preocupado com as altas despesas de manutenção ou sua alternativa, ou a negligência ao imóvel.

Em um acordo típico, Tarrant se responsabilizou por pagar todas as contas e devolver a propriedade nas mesmas ou melhores condições que encontrou quando o coletivo assumiu o imóvel.

Além disso, Tarrant concordou em dar mais de 15% dos rendimentos de qualquer venda de obras de arte.

A maioria dos acordos é para períodos menores que os seis meses conseguidos por Tarrant e, como resultado, os espaços de exposição passaram a ser conhecidos como galerias pop-up, ou instantâneas.

Leia mais sobre: galerias de arte

    Leia tudo sobre: artelondres

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG