Livro aborda imigração de muçulmanos para a Europa

Escrito por Christopher Caldwell, ¿Reflections on the Revolution in Europe: Immigration, Islam, and the West¿ (Reflexões sobre a Revolução na Europa: imigração, islã e o Ocidente, em tradução livre) é um livro apimentado, com um título legal e erudito.

The New York Times |

Dizer que a retórica de Caldwell é apimentada não é o mesmo que chamá-la de discriminadora ou rebelde. Pelo contrário, Caldwell, editor sênior da The Weekly Standard e colunista do The Financial Times, compila seus argumentos pacientemente, passo a passo, e na maior parte com clareza e graça intelectual, ou até mesmo sagacidade.

Mas são argumentos que as pessoas não estão acostumadas a ouvir de forma tão direta, ao menos não de jornalistas com tendências políticas ocidentais. Alguns deles são que: em décadas de imigração em massa para as cidades hospitaleiras da Europa e devido a uma forte dificuldade em assimilar a cultura, os muçulmanos estão mudando em relação à Europa, e isso talvez seja de forma absoluta. Esses imigrantes muçulmanos não estão desenvolvendo a cultura europeia, mas, sim, suplantando-a. Os produtos de uma cultura adversária, os imigrantes e sua religão, o islã, estão conquistando a Europa aos poucos: em cidades, de rua em rua.

Caldwell é um escritor vívido, e como um herói de filmes de ação, ele caminha calmamente para longe dessas explosões enquanto bombas caem atrás dele. Imagine que o Ocidente, na época da Guerra Fria, recebeu um fluxo de massas de imigrantes de países comunistas, que eram ambivalentes sobre o lado que apoiavam, escreveu ele. Algo similar está acontecendo agora.

As culturas muçulmanas são historicamente inimigas da Europa, como também seus soberanos, ou subordinados, de acordo com o autor. A Europa aposta que essas atitudes, passadas de geração a geração ao longo dos séculos em ambos os lados, desapareceram ou se pode fazer algo para que desapareçam. Essa provavelmente não é uma aposta inteligente.

O argumento de Caldwell gera muita tensão, causando muitas provocações por aqui. Basta dizer, logo de cara, que Caldwell não é contra a imigração. Ele traça movimentos históricos de várias pessoas pelos continentes e nacionalidades, além de apontar sucessos e fracassos. Mas diz que não houve nada como o recente fluxo de entrada de muçulmanos na Europa, o que ele chama de uma ruptura na história.

Em meados do século 20, na prática, não havia muçulmanos na Europa Ocidental, escreveu Caldwell. Na virada do século 21, havia cerca de 15 a 17 milhões de muçulmanos na Europa Ocidental, incluindo cinco milhões na França, quatro milhões na Alemanha e dois milhões na Grã-Bretanha.

De acordo com o autor, cada vez mais esses imigrantes estão inundando a Europa demograficamente por causa de suas altas taxas de fertilidade. Ele aponta para pequenos fatos como também para grandes. Em Bruxelas, em 2006, os sete nomes mais comuns eram Mohamed, Adam, Rayan, Ayoub, Mehdi, Amine e Hamza.

Na visão de Caldwell, o problema não é tanto os números absolutos, mas sim a divergência cultural. Ele escreve que o que acontece na Europa não é a criação de uma fusão do estilo americano, porque os muçulmanos não o estão consumindo. Ao invés disso, estão formando o que ele chama de sociedade paralela. Novatos na Inglaterra agora escutam a Al-Jazeera, e não a BBC. Eles hesitam em servir o exército de seu país adotado (como em 2007, Caldwell apontou que havia apenas 330 muçulmanos nas forças armadas da Grã-Bretanha). O pior é que esses imigrantes estão trazendo o antissemitismo de volta à Europa.

Caldwell fala calmamente sobre os tumultos que se espalham por vizinhanças étnicas na França em 2005, durante os quais milhares de carros foram queimados. Quem eram esses baderneiros?, pergunta ele. Eram admiradores da cultura majoritária da França, frustrados por não conseguir se juntar às mesmas condições dos outros? Ou será que eles simplesmente queriam queimar uma sociedade toda que desprezam, seja por sua exclusividade, hipocrisia ou fraqueza?

A observação mais arrepiante do livro de Caldwell é a de que o debate sobre a imigração muçulmana na Europa é algo que o continente não pode discutir abertamente, porque qualquer crítico remoto do islã é intitulado de islamofóbico.

Os cidadãos europeus ¿ assim como líderes, seus artistas e, principalmente, seus satiristas ¿ têm medo de falar e darem a entender que aceitam a violência de islâmicos fanáticos contra seus oponentes. Caldwell escreve que há um tipo de perspectiva fatwa (especialista na religião islâmica) contra os críticos islâmicos.

Caldwell, que também escreve para o The New York Times Magazine, mostra coisas que glorificam a sociedade islâmica, mas ele fala sobre suas deficiências sem pena.

O mundo islâmico está em uma tensão econômica e intelectual, parte do mundo potencialmente civilizado, mas deixado para trás no progresso, escreve ele. Além disso, o autor acrescenta, devastadoramente: a Espanha traduz mais livros estrangeiros por ano do que todos os países de língua árabe traduziram desde o reino do califa Mamoun, no século nove.

Reflections on the Revolution in Europe é mais descritivo do que prescritivo. São necessários melhores mediadores entre o Ocidente e o Oriente, lembra Caldwell durante a enorme demolição da academia suíça muçulmana de Tariq Ramadan, a quem o autor acusa de apaziguar o público ocidental, enquanto incentiva a jihad por meio de linguagens codificadas.

Entre os poucos heróis de Caldwell está o presidente francês, Nicolas Sarkozy, que refere a si mesmo como um amigo exigente dos muçulmanos na França, e quem, como ministro do Interior francês, reduziu o número de autorizações de primeira residência oferecidas pelo país. O autor escreve que Sarkozy está se movendo para além do multiculturalismo sem críticas.

O livro de Caldwell é bem pesquisado, intensamente argumentativo e moralmente sério. Ele deve servir de alerta, denso e permanente, para muitas democracias liberais europeias. É também uma visão geral dos piores fatores da imigração muçulmana na Europa e é possível que Caldwell esteja exagerando em sua teoria.

É difícil argumentar sobre sua última observação sobre a Europa atual: quando uma cultura insegura, maleável e relativista (a europeia) encontra uma cultura ancorada, confiante e fortalecida por doutrinas comuns (o islamismo), geralmente é a primeira que muda para se adaptar à última.


Por DWIGHT GARNER



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